By: INTERVALO DA NOTICIAS
Texto: YAHOO – Imagem: Felipe Costa (Futura Press)
Depois
de o Ministério da Educação reagir negativamente a um curso da UnB
(Universidade de Brasília) intitulado “O golpe de 2016 e o futuro da
democracia no Brasil”, a Unicamp vai realizar disciplina optativa,
aberta ao público, de mesmo tema e nome.
Estão
previstas aulas como “A fragilidade da democracia brasileira”, “As
políticas do governo golpista”, “A nova direita”, “O jogo político do
STF e o golpe”, “O ataque à educação” e “As reformas trabalhista e
previdenciária”.
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Assuntos
sobre direitos das mulheres, comunidades quilombolas, população
indígena, artes e meio ambiente também estão no programa.
Segundo
Wagner Romão, professor de ciência política da Unicamp, a intervenção
federal na segurança pública do Rio também será discutida.
Ao
menos 30 professores da universidade vão lecionar no curso. Com duração
prevista de três meses, as aulas serão realizadas no IFCH (Instituto de
Filosofia e Ciências Humanas), até maio.
Perguntado
sobre as bases teóricas do curso, o professor do IFCH Armando Boito
Júnior afirmou que “cada professor vai dar aula sobre o tema que
pesquisa”. “São pesquisadores e especialistas no assunto, ninguém vai lá
para dar opinião”, diz.
Também
professora do instituto, a cientista política Andreia Galvão diz que há
pesquisas sobre o impeachment de Dilma Rousseff desde o início do
processo e este momento é uma oportunidade de trazê-las a público.
A
bibliografia das aulas ainda não foi divulgada. Além da ciência
política, professores de Unicamp de áreas como antropologia, história,
sociologia, economia e linguística confirmaram presença nas atividades.
Autonomia
O
caso da UnB levou o Ministério da Educação a pedir apuração sobre a
possibilidade de seus criadores terem cometido improbidade
administrativa. O ministro Mendonça Filho pediu que órgãos de
investigação avaliassem se a universidade pode alocar professores “para
promover uma disciplina que não tem nenhuma base na ciência, é apenas
promoção de uma tese de um partido político”.
Para
Boito Júnior, da Unicamp, o MEC não respeitou a autonomia universitária
e a liberdade de expressão, além de não ter direito de intervir no
conteúdo pedagógico de uma universidade.
“Se
ele [Mendonça Filho] acha que o curso da UnB é propaganda de um partido
político, é problema dele. A universidade não tem que dar satisfação”,
disse.
Segundo
Andreia Galvão, o curso também é uma forma de solidariedade com o
professor que ministrará a disciplina em Brasília, Luis Felipe Miguel.
Ela diz que não tem previsão de quantas pessoas devem participar das
aulas.
O
posicionamento do ministro em relação à UnB foi parar na Comitê de
Ética Pública da Presidência. Procurado, o MEC afirmou que a
representação “mostra a inversão de valores típica do modo petista de
operar” e defendeu a postura de Mendonça Filho. “O ministro da Educação
está cumprindo o papel constitucional de solicitar apuração do bom uso
de recursos públicos, sob pena de, se não fizer, responder por omissão”.
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