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INTERVALO DA NOTICIAS
Texto: JN/G1 – Imagem: DivulgaçãoOs presidentes Lula e Donald Trump se reuniram nesta quinta-feira (7) na Casa Branca, em Washington. Ambos classificaram o encontro como muito produtivo.
O encontro começou com o tradicional aperto de mãos. Eram 12h21, pelo
horário de Brasília, quando o presidente Lula chegou à Casa Branca. O
momento mais esperado era o encontro dos dois presidentes no Salão Oval,
geralmente cercado de jornalistas e muitas câmeras. Já é tradição na
Casa Branca: antes da reunião com autoridades de outros países começar,
os jornalistas são convidados a entrar e, muitas vezes, conseguem fazer
perguntas. Mas desta vez foi diferente. A pedido de Lula, a fala dos presidentes para a imprensa ficaria para depois da reunião.
E para saber o que foi tratado, é só olhar as comitivas. Do lado americano, o foco foi a economia.
Além do vice-presidente J.D. Vance e da chefe de gabinete Susie Wiles,
estavam lá o representante comercial do país, Jamieson Greer, e os
secretários do Tesouro, Scott Bessent, e do Comércio, Howard Lutnick. Na comitiva brasileira, o foco foi nas tarifas, no combate ao crime organizado e em negócios com terras raras.
Além do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, estavam
presentes os ministros da Justiça, Wellington César Lima e Silva; da
Fazenda, Dario Durigan; da Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa; e de
Minas e Energia, Alexandre Silveira.
Esse foi o terceiro encontro dos dois no atual mandato e acontece depois de forte pressão americana sobre o Brasil.
Em abril de 2025, Trump impôs uma sobretaxa de 10% sobre importações do
mundo todo. Em agosto, impôs um novo tarifaço só para o Brasil, subindo
a alíquota de alguns produtos para 50%.
O Brasil usou as vias diplomáticas para tentar reverter a situação.
Em setembro, os dois presidentes tiveram uma conversa rápida nos
bastidores da Assembleia da ONU. Em outubro, Lula e Trump tiveram uma
reunião na Malásia. Em novembro, a taxa extra caiu para os principais
itens da pauta de exportação - como café, carne e frutas.
De lá para cá, muita coisa mudou. No cenário internacional, os Estados Unidos
retiraram Maduro do poder na Venezuela e iniciaram uma guerra com o Irã
- pontos de divergência entre os dois países. E na relação com o
Brasil, ainda há pendências na área comercial, discutidas nesta
quinta-feira (7).
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“Acabo de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o
dinâmico presidente do Brasil. Discutimos muitos tópicos, incluindo
comércio e, especificamente, tarifas. A reunião correu muito bem. Nossos
representantes estão programados para se reunir e discutir certos
elementos-chave. Reuniões adicionais serão agendadas ao longo dos
próximos meses, conforme necessário”.
O presidente Lula falou sobre sua perspectiva da reunião em uma
entrevista coletiva na embaixada do Brasil em Washington. Classificou
como um passo importante nas relações entre os dois países e disse que
saiu otimista e satisfeito.
Entre os assuntos, Lula
disse que conversou com Trump sobre os minerais críticos e as terras
raras, essenciais para produtos de alta tecnologia e para a transição
energética. Os Estados Unidos estão em uma corrida tecnológica
com a China, que tem a maior reserva do mundo. O Brasil vem logo atrás,
com a segunda maior - mas ainda explora muito pouco. O Congresso está
discutindo um marco regulatório para o setor, com o objetivo de garantir
a soberania nacional sobre o material.
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obre tarifas, Lula disse à Trump que
o Brasil cobra, em média, 2,7% de impostos sobre produtos americanos.
De acordo com o presidente brasileiro, a delegação americana discordou
do número. Diante da divergência, Lula propôs e acertou com Trump
a criação de um grupo de trabalho entre os representantes de comércio
dos dois lados para analisar os impostos cobrados e apresentar uma
proposta em 30 dias.
“Quem tiver errado, vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos
ceder. Se vocês tiverem que ceder, vocês vão ter que ceder”.
Os Estados Unidos estão investigando o Brasil por supostas práticas
desleais de comércio, com base na Seção 301 da Lei de Comércio
Americana. Uma eventual decisão poderia resultar em mais tarifas sobre produtos brasileiros - é isso que o Brasil quer evitar.
Entre os argumentos para a investigação estão, por exemplo, fatores
como o PIX, considerado pelos americanos prejudicial para as bandeiras
americanas de cartões de crédito dos Estados Unidos. Mas Lula, em
resposta à correspondente Raquel Krähenbühl, disse que os dois não
entraram nesses detalhes, que ficaram para o grupo de trabalho.
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O crime organizado transnacional também esteve na pauta. Questionado
se os dois trataram sobre a possibilidade de os Estados Unidos
classifiquem facções criminosas como PCC e Comando Vermelho como
organizações terroristas, Lula disse que não e que defendeu a criação de um grupo de trabalho com todos os países das Américas para combater o crime organizado.
Lula afirmou que não acredita na possibilidade de interferência de Trump nas eleições de 2026 no Brasil, uma preocupação de alguns membros do governo pela proximidade de integrantes do governo americano com a família Bolsonaro.
“Eu não acredito que ele vá ter qualquer influência nas eleições
brasileiras, até porque quem vota é o povo brasileiro. E eu acho que ele
vai se comportar como presidente dos Estados Unidos, deixando que o
povo brasileiro decida seu destino. Como eu vou deixar que o povo
americano decida o destino deles. É isso que vai acontecer. Nossa
relação é muito boa, mas muito boa. Eu diria, uma relação que pouca
gente acreditava que pudesse acontecer com tanta rapidez”.
Lula disse que entregou uma lista
com nomes de autoridades brasileiras que estão com os vistos americanos
suspensos - caso de ministros do Supremo, do procurador-geral da
República e doe familiares do ministro da Saúde; e fez uma
relação com a aprovação, pelo Congresso, da lei que permite a diminuição
das penas dos condenados por tentativa de golpe, como o ex-presidente
Jair Bolsonaro.
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“Entreguei para ele também a lista dos nomes brasileiros que ainda
continuam proibidos de entrar nos Estados Unidos, nossas autoridades
constituídas. Como foi aprovada a dosimetria no Congresso Nacional, vai
diminuir a pena de todo mundo. Quem sabe o Trump reconheça a necessidade
de liberar o visto para os brasileiros que estão proibidos de entrar
aqui”.
Lula concluiu a entrevista dizendo que saiu otimista dos Estados Unidos:
“Fiz a reunião, estou feliz, volto para o Brasil mais otimista. Acho que
o presidente Trump também ficou otimista. E eu espero que as coisas
comecem a avançar".
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