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terça-feira, 4 de agosto de 2020

Onyx faz acordo com PGR, admite caixa dois e paga R$ 189 mil para encerrar processo

By: INTERVALO DA NOTICIAS
Texto: JORNAL EXTRA Imagem: Jorge William/ Agência O Globo

O ministro da Cidadania Onyx Lorenzoni (DEM-RS) fechou um acordo de não-persecução penal com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no qual admitiu o recebimento de caixa dois da JBS em suas campanhas eleitorais de 2012 e 2014. Além disso, o ministro aceitou pagar R$ 189 mil como prestação pecuniária, em troca do encerramento de uma investigação a respeito do assunto.
O valor da prestação pecuniária corresponde a nove vezes o atual salário líquido de Onyx, que é de R$ 21 mil. Nas últimas eleições, em 2018, ele declarou ter patrimônio de cerca de R$ 1 milhão.
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Segundo sua defesa, o ministro irá contrair um empréstimo bancário para quitar os R$ 189 mil, além de usar parte de suas economias pessoais.
Assinado pelo procurador-geral da República Augusto Aras, o acerto é o primeiro acordo desse tipo fechado perante o Supremo Tribunal Federal (STF). O instrumento, conhecido como ANPP, foi regulamentado na Lei Anticrime aprovada no final do ano passado, que estabelece a possibilidade desse acordo para crimes realizados sem violência e cuja pena mínima seja inferior a quatro anos. O objetivo do instrumento é desafogar o Judiciário e agilizar o encerramento de processos.
A pena do crime de caixa dois, configurado como falsidade ideológica eleitoral, é relativamente baixa (reclusão de até cinco anos se o documento for público e reclusão de até três anos se o documento for particular), por isso esse acordo era cabível neste caso. Pelo acerto, Onyx pagará o valor em uma parcela só, mas somente após a homologação do acordo pelo ministro do STF Marco Aurélio Mello, relator do caso.
O caixa dois pago ao ministro foi revelado na delação premiada dos executivos do grupo J&F, dono da JBS, e se tornou objeto de uma investigação preliminar no STF. A PGR havia solicitado que ele fosse enviado à Justiça Eleitoral do Rio Grande do Sul, mas a defesa do parlamentar recorreu ao Supremo para que o caso permanecesse na corte. Por isso, ainda não havia definição sobre o foro do procedimento.
Em maio de 2017, quando a delação dos executivos da J&F, dona da JBS, veio a público, Onyx admitiu ter recebido R$ 100 mil não declarados à Justiça Eleitoral para abastecer sua campanha em 2014 e pediu desculpas pelo episódio.
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Ele afirmou na ocasião que não sabia que os recursos tinham sido pagos pela JBS, porque acertou a doação com um amigo seu do setor agropecuário. Na delação, a J&F informou que o caixa dois de 2014 destinado a ele foi de R$ 200 mil e que, em 2012, foram repassados outros R$ 100 mil ao deputado. Nesse acordo de não-persecução penal, o ministro confessa ambos recebimentos de recursos não-contabilizados, tanto em 2012 como em 2014.
Procurado, o advogado de Onyx, Daniel Bialski, afirmou que o ministro decidiu procurar as autoridades com a intenção de colaborar e dar um desfecho ao processo.
— Diante da nova legislação processual e com a intenção do ministro em solucionar isso de uma vez por todas, foi postulado junto à PGR o acordo de não-persecução penal com admissão dos fatos. Agora esperamos que o Supremo homologue o acordo — disse Bialski.
Primeiro acordo
O Supremo já acolheu, em casos anteriores, propostas da PGR para suspensão condicional de processos, instrumento também possível de aplicação em casos com pena baixa. Esse acordo com o ministro Onyx, entretanto, é o primeiro no formato do acordo de não-persecução penal, que envolve admissão de culpa e tem um valor de multa muito superior às propostas anteriores analisadas pela Corte.
Em 2005, um deputado federal de Tocantins fez acordo perante a PGR e o STF para suspender uma acusação de omissão de R$ 300 mil em sua prestação de contas. Naquele caso, ficou estipulado o pagamento de multa de R$ 1.000 e a realização de palestras em escolas como contrapartida à sociedade. Um outro caso, analisado pelo STF no ano de 2004 envolvendo caixa dois de R$ 20 mil a um deputado federal do Rio Grande do Sul, também foi encerrado mediante multa de R$ 1.000 e palestras em escolas como contrapartida.
Quando a delação da JBS veio a público, Onyx fez uma declaração pública admitindo o recebimento de caixa dois no ano de 2012, mas não se pronunciou sobre o caixa dois de 2014.
— Tô assumindo aqui, como um homem tem que fazer, (usei os recursos) sem a declaração na prestação de contas. Todos os outros recursos foram 100% contabilizados, foi apenas este recurso.
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Eu quero pedir desculpas aos eleitores do Rio Grande do Sul que confiam em mim pelo erro que cometi, mas vou assumir, como um homem tem que fazer. Eu vou lá pra frente do Ministério Público, vou reafirmar o que estou dizendo publicamente aqui, vou ao juiz que foi destinado ao caso e vou reafirmar — disse Onyx, em uma entrevista em maio de 2017.
À época das delações premiadas da Odebrecht e da J&F, o então procurador-geral da República Rodrigo Janot chegou a estudar fazer acordos com os investigados nos casos de caixa dois para encerrar mais rapidamente essas investigações. Essa ideia, entretanto, acabou não sendo implantada na prática.
A nova Lei Anticrime, proposta pelo então ministro da Justiça Sergio Moro e aprovada com alterações no Congresso Nacional, regulamentou os acordos de não persecução penal e trouxe um impulso ao instrumento. Desde então, o Ministério Público Federal passou a incentivar que os procuradores adotassem essa solução em processos que atendessem aos requisitos. Uma nota conjunta chegou a ser feita pelas Câmaras temáticas do MPF estabelecendo diretrizes para a adesão aos acordos.
Dados contabilizados pelo MPF registraram a realização de 1.010 acordos de não persecução entre a entrada em vigência da nova lei, em 24 de dezembro de 2019, e o mês de março. Esse instrumento já era usado antes, mas era visto com ressalvas porque não existia uma regulamentação clara na lei.
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quarta-feira, 10 de junho de 2020

Fachin e Janot teriam atuado para direcionar relatoria da JBS, diz jornal

By: INTERVALO DA NOTICIAS
Texto: METROPOLES Imagem: Divulgação

Documentos obtidos pelo jornal A Tarde mostrariam, segundo o jornal, que o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin teriam atuado para direcionar o juiz na delação premiada dos irmãos Wesley e Joesley Batista, da JBS. O acordo é alvo de pedido de anulação no STF, cujo julgamento está marcado para 17 de junho.
Para garantir que o processo ficasse com o ministro, Janot teria forçado a interpretação de que Fachin, relator da Lava Jato no STF, era “prevento” em duas acusações envolvendo o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), ou seja, de que ele já teria tratado de casos vinculados ao deputado anteriormente. Aécio foi envolvido no caso da JBS depois de ser gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley.
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Nesses dois processos houve pedidos de cautelar enviados ao ministro horas depois da assinatura do pré-acordo de delação. Com o entendimento de prevenção, não aplicou-se o sistema de juiz natural, de sorteio para os membros da Corte.
Não teria havido, contudo, comprovação de vínculo entre os processos – tanto no posicionamento da Coordenadoria de Processamento Judicial do STF quanto pelo próprio Fachin, que determinou que as investigações fossem distribuídas no âmbito da Corte. Contudo, antes, ele avaliou medidas pedidas pelo PGR, incluindo o afastamento de Aécio do mandato de senador.
Segundo o jornal, os documentos já estão com a PGR para que o órgão possa se manifestar sobre a conduta do ministro e de Janot.
O acordo de delação da JBS é polêmico por ter garantido aos irmãos Batista a certeza de que eles não seriam denunciados e presos pelos crimes que narrassem em depoimento. Foi Fachin quem homologou a delação, em 10 de maio de 2017.
Corre no STF um pedido de cancelamento da delação, assinado pelo próprio Janot, que se baseia na suspeita de que alguns dos crimes cometidos foram omitidos em julgamento. A delação foi revogada pela ex-PGR Raquel Dodge, sucessora de Janot, mas a decisão dela precisa ser referendada por Fachin.
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quinta-feira, 30 de maio de 2019

Justiça manda bloquear recursos de Aécio Neves em até R$ 128 milhões


By: INTERVALO DA NOTICIAS
Texto: PARANA PORTAL Imagem: Divulgação

A Justiça Federal de São Paulo determinou o bloqueio de um valor de até R$ 128 milhões do deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), em inquérito que investiga suspeitas de corrupção apontadas na delação da JBS.
O tucano disse que irá recorrer e que, ao longo dos anos, não chegou a ter 1% desse valor em suas contas e aplicações financeiras.
A decisão, tomada em 14 de maio e divulgada nesta terça (28), é do juiz João Batista Gonçalves, da 6ª Vara Criminal de São Paulo, que também determinou o bloqueio de outros R$ 226 milhões em ativos financeiros de outros 15 investigados e cinco empresas.
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O Ministério Público Federal, que fez o pedido, investiga se Aécio recebeu, para si e aliados, a quantia citada na decisão de bloqueio.
Parte desses repasses, disseram os delatores, aconteceu nas eleições de 2014, quando Aécio concorreu à Presidência. O restante teria sido pago na compra do prédio ligado ao jornal Hoje em Dia, em 2015 e 2016, e à Rádio Arco Íris, relacionada à família do político.
Em contrapartida, haveria a promessa de influência junto ao Governo de Minas Gerais para viabilizar a restituição de créditos fiscais de ICMS em favor de empresas do Grupo J&F, que controla a JBS.
O deputado é investigado sob suspeita de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e de associação criminosa.
Na representação da Procuradoria que pediu o bloqueio, segundo a Justiça Federal, constam documentos apresentados por executivos do Grupo J&F, elementos da Operação Patmos e de relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
Procurada, a defesa de Aécio disse que considera a decisão “inusitada e incompreensível” e apresentou recurso.
“Os valores referem-se, na sua grande maioria, segundo os próprios delatores, a doações eleitorais feitas pela JBS a diversos partidos políticos em 2014.
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Doações, inclusive, declaradas ao TSE”, diz nota do advogado Alberto Toron.
“Depois, o destino final desses recursos comprovadamente foram os diferentes partidos políticos da coligação do PSDB. Nunca houve sequer uma acusação de que o deputado Aécio tenha se beneficiado pessoalmente de nenhum centavo”, afirma.
“Registre-se que os aventados R$ 128 milhões nunca entraram, saíram ou transitaram nas contas do deputado, que, ao longo dos anos, não chegou a ter como saldo, entre conta bancária e aplicação financeira, sequer 1% de tal valor.”
O advogado ainda diz que as afirmações dos delatores da JBS são falsas.


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