Diferente dos reajustes anuais, que apenas atualizam tarifas com base na inflação e em custos não gerenciáveis, a Revisão Tarifária Periódica é um ciclo aprofundado a cada cinco anos para a Copel. Nesse processo, a Aneel reassume custos operacionais, investimentos na rede, metas de eficiência e a forma de remunerar os ativos da distribuidora, o que impacta diretamente o lucro dos acionistas.
A Aneel aponta como principais fatores que pressionam a proposta:
- Aumento de custos de transmissão, ou seja, o uso do sistema de linhas de alta tensão que conecta usinas às subestações;
- Encargos setoriais, como a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que financia subsídios e programas de expansão;
- Retirada de componentes financeiros de tarifas de processos anteriores, que venham sendo repassados gradualmente ao consumidor;
Além desses itens técnicos, está em jogo uma nova lógica de rentabilidade da Copel pós‑privatização. Com a empresa passando a buscar maior lucro para investidores, parte da pressão aparece mitigada via tarifa, não via corte de margem.
Impactos da privatização
A privatização da Copel, concluída em agosto de 2023 sob o governo Ratinho Júnior (PSD), foi acompanhada por promessas de modernização, maior eficiência e investimentos em infraestrutura. Na prática, porém, consumidores paranaenses vêm registrando reajustes sucessivos nas faturas desde a transição da companhia.
A Consulta Pública nº 005/2026 ficará aberta entre 8 de abril e 22 de maio, período em que a sociedade pode enviar contribuições sobre a proposta de reajuste da Copel.
Pela página da consulta no site da ANEEL (Consulta Pública nº 005/2026).
Por e‑mail, para os endereços:
cp005_2026pt@aneel.gov.br - para o tema Perdas Técnicas;
cp005_2026et@aneel.gov.br - para o tema Estrutura Tarifária.
cp005_2026rv@aneel.gov.br - para o tema Revisão Tarifária.
Além disso, está prevista uma audiência pública presencial no dia 29 de abril, em Curitiba, com local ainda a ser confirmado.
Após essa etapa, caberá à diretoria da Aneel decidir se aprova, modera ou reduz parcialmente os índices propostos pela Copel. Se mantido em grande parte, o reajuste passa a valer a partir de 24 de junho de 2026, afetando milhões de unidades consumidoras.
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