quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Colégios federais do Rio estão ocupados contra medidas de Temer



By: INTERVALO DA NOTICIAS
Texto: JORNAL EXTRA Imagem: Thiago Freitas


Estudantes de cinco colégios federais no Rio estão ocupando os prédios em protestos a reformas defendidas pelo governo Temer. Alunos das unidades dos institutos federais de Educação do Rio de Janeiro (IFRJ) de Nilópolis, Duque de Caxias e São Gonçalo e dos colégios Pedro II de Engenho Novo e Realengo defendem a interrupção das reformas no ensino médio e são contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, que limita o teto de gastos do governo federal . O IFRJ de Realengo, que só tem ensino superior, também está ocupado.As primeiras ocupações aconteceram há uma semana.
“Querem cortar na carne, mas a carne a ser cortada será a do negro, a do pobre e a do periférico”, criticou um grupo de alunos de Nilópolis, em texto enviado ao EXTRA. Eles ainda lutam por mais segurança na unidade. “Já chegamos a ter mais de dez assaltos no mesmo dia, roubos de carros de professores e violência simbólica contra as estudantes”.
Só no Paraná, mais de 700 colégios estão ocupados. De acordo com os manifestantes, o número passa de mil ao redor do país.
Outra pauta à qual o grupo se opõe é o projeto de lei, em tramitação no Congresso, conhecido como escola sem partido, que impede professores de emitirem opiniões políticas em aula e é considerado pelos críticos uma forma de cessar o debate dentro das escolas.
— Quando é para fazer política indicando diretor, aí querem mais é partido dentro da escola. Da pior forma possível — diz um estudante do IFRJ São Gonçalo, no bairro Neves, que pede doação de alimentos e higiene pessoal para ajudar a ocupação (informações pelo e-mail ocupaifrjsg@gmail.com).
Assim como nas ocupações dos colégios estaduais ocorridas no meio do ano no Rio, os alunos das escolas federais se organizaram em comissões para segurança, alimentação e eventos (como atos públicos, palestras, rodas de conversas e atividades culturais).
– Eu acho que na situação atual, um movimento estudantil desse porte é extremamente necessário para que os alunos possam mostrar que têm voz. Ao contrário dos boatos, o movimento está muito organizado. Nós estamos cuidando da limpeza, alimentação, segurança e temos atividades culturais e monitorias. Como aluna do terceiro ano, eu defendo a uma educação pública de qualidade. São mais de 1000 escolas ocupadas no Brasil lutando contra medidas que causarão retrocesso na educação — afirmou uma aluna do Colégio Pedro II de Realengo.
O IFRJ informou que as as manifestações são legítimas e que cabe à direção zelar pelo patrimônio público e pela segurança de servidores e alunos, mantendo o diálogo com os jovens. Já o Pedro II, afirmou que as direções das unidades são contrárias às ocupações, mas não pedirão reintegração de posse.
Proximidade com o Enem
O apoio às ocupações não é unânime. Parte dos pais e alunos é contra a medida. Uma estudante do 3º ano do ensino médio do Colégio Pedro II de Realengo, que preferiu não se identificar, acredita que as ações não vão surtir efeito:
— Acho que as reivindicações não serão atendidas e a escola terá que adaptar um calendário no fim do ano. Talvez a ocupação só atrase os estudantes — afirma a estudante.
O último balaço do Ministério da Educação (MEC) aponta que, no país, 182 locais de prova do Enem estão ocupados, inclusive no Rio. O MEC deu prazo de até 31 de outubro para as desocupações. Caso isso não ocorra, o exame será cancelado nestes locais e os candidatos que fariam as provas nas unidades terão uma nova data, ainda não marcada. O órgão estima que 95 mil candidatos seriam afetados.
Além disso, o Pedro II de Realengo seria um colégio eleitoral. A direção afirma que negocia a desocupação com os alunos. Segundo o juiz Marcelo Rubiolli, do Tribunal Regional Eleitoral do Rio, não é possível realizar o pleito com o colégio ocupado pois as urnas precisam dormir na unidade e recebem escolta armada.
— Se houver votação o colégio terá que ser desocupado. Provavelmente o juiz eleitoral do local vai tentar remover os ocupantes de forma pacifica. Se o local já está destinado para ser local de votação, não pode ser realizada a votação com ocupação lá. É um local de segurança, as urnas pernoitam com policiamento no local. Para o local ser mudado deverá ter autorização do presidente do TRE — afirmou Rubioli. 
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