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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Guarapuava terá tecnologia inédita no SUS que pode ajudar pacientes com câncer a preservar os cabelos

By: INTERVALO DA NOTICIAS
Texto: G+ NOTICIAS  Imagem: Divulgação
Uma nova tecnologia promete levar mais do que inovação ao tratamento contra o câncer em Guarapuava: pode ajudar pacientes a preservar os cabelos durante determinadas quimioterapias e enfrentar uma das etapas mais difíceis do tratamento com mais autoestima e qualidade de vida.
O município dará um passo importante na humanização do atendimento oncológico pelo Sistema Único de Saúde (SUS). 
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Guarapuava receberá um equipamento de crioterapia capilar, tecnologia utilizada durante determinados protocolos de quimioterapia e que pode reduzir a queda dos cabelos em pacientes elegíveis ao procedimento.
O equipamento será destinado ao Cancer Center São Vicente, ampliando as alternativas de cuidado oferecidas às mulheres que enfrentam o câncer e fortalecendo a estrutura de atendimento oncológico no município.
A expectativa é de que as primeiras pacientes possam utilizar a tecnologia ainda este ano, após a conclusão dos procedimentos burocráticos e dos ajustes técnicos necessários.
Tecnologia poderá preservar os cabelos durante a quimioterapia
A crioterapia capilar funciona por meio do resfriamento do couro cabeludo durante a administração de determinados medicamentos quimioterápicos. A redução da temperatura pode diminuir o fluxo sanguíneo na região e, em alguns casos, reduzir a exposição dos folículos capilares aos medicamentos.
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O objetivo é diminuir a ocorrência da alopecia, a queda de cabelo provocada por determinados tratamentos contra o câncer.
A indicação, entretanto, não é válida para todas as pacientes. A utilização depende do tipo de câncer, do protocolo de quimioterapia e da avaliação da equipe médica responsável pelo tratamento.
Para as pacientes que podem utilizar a tecnologia, a possibilidade de preservar os cabelos pode representar um impacto significativo na autoestima e na forma como enfrentam o tratamento.
Parceria reúne poder público, empresa e sociedade civil
A aquisição do equipamento será viabilizada por uma parceria que reúne Governo do Estado, município, iniciativa privada e sociedade civil.
Uma empresa do setor automotivo aprovou o projeto e irá financiar a compra do equipamento, além de garantir sua manutenção durante dois anos. O Lions Club participa da iniciativa como intermediador e executor do projeto.
Segundo a secretária de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa, Mariana Neri, a iniciativa representa uma inovação no atendimento às pacientes oncológicas do SUS e pode servir de referência para uma futura ampliação da tecnologia no Paraná.
Mariana também relatou sua própria experiência como paciente oncológica e usuária da crioterapia capilar. Segundo ela, o equipamento apresentou resultado em seu caso, mas reforçou que a utilização da tecnologia depende da indicação médica e dos protocolos específicos de cada paciente.
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A iniciativa será realizada por meio do Programa Paraná Competitivo, com apoio do Programa Paraná Rosa, do Governo do Paraná.
Cuidar da doença, mas também da mulher
O projeto pretende ir além da disponibilização do equipamento.
A Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres também participará da iniciativa, contribuindo para o acompanhamento e acolhimento das pacientes durante o tratamento.
Para a secretária Laura Vasconcelos, a perda dos cabelos pode afetar diretamente a qualidade de vida e o aspecto emocional das mulheres que enfrentam o câncer.
A proposta, segundo ela, é construir uma rede de apoio capaz de acompanhar essas pacientes em uma fase marcada por desafios físicos e emocionais.
Guarapuava aposta em um tratamento mais humanizado
A chegada da crioterapia capilar representa uma mudança importante na forma de enxergar o tratamento oncológico: não se trata apenas de combater a doença, mas também de cuidar da pessoa que está enfrentando o tratamento.
Ao unir tecnologia, políticas públicas, iniciativa privada e participação da sociedade civil, Guarapuava passa a contar com uma nova possibilidade de cuidado para pacientes do SUS.
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A expectativa é que o equipamento seja inaugurado ainda este ano, após a conclusão das etapas necessárias junto ao hospital.
Se os resultados forem positivos e a experiência puder ser ampliada, a iniciativa poderá abrir caminho para que outras cidades do Paraná também tenham acesso à tecnologia.
Para muitas mulheres, preservar os cabelos pode parecer um detalhe diante de uma doença tão grave. Para quem está enfrentando o câncer, porém, recuperar ou manter parte da própria identidade durante o tratamento pode significar muito mais: é sobre autoestima, dignidade e força para continuar 
Com informações do G+ Notícias

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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Anvisa interrompe fabricação de produtos de limpeza da Unilever

By: INTERVALO DA NOTICIAS
Texto: INTERVALO DA NOTICIAS  Imagem: Divulgação
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu, nesta quarta-feira (2), a fabricação de produtos de limpeza na unidade da empresa Unilever, em Vinhedo, São Paulo.
De acordo com a agência reguladora, o objetivo é assegurar que futuros lotes dos produtos da empresa disponibilizados à população não ofereçam risco à saúde pública. Na unidade são produzidos sabão líquido para lavar roupas e amaciante líquido para roupas, entre outros. 
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A determinação está na Resolução 3.443/2026 publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira. 
A ação é preventiva e foi adotada após inspeção na fábrica de saneantes entre os dias 24 e 28 de agosto em conjunto com o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e a Vigilância Sanitária do Município de Vinhedo.
Foram identificadas falhas nas Boas Práticas de Fabricação (BPF), que são requisitos que as empresas devem cumprir para assegurar que a produção conte com sistemas de controle de qualidade adequados.
Entre os problemas percebidos na unidade da multinacional, estão falhas nos controles realizados durante a fabricação e antes da liberação dos produtos e deficiências no monitoramento da água usada na produção. Também foram apontadas fragilidades na investigação e correção de problemas identificados pela própria empresa. 
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Produtos

A Anvisa esclarece que até o momento não há indicação de contaminação microbiológica ou outros problemas sobre os lotes produzidos na fábrica, e por esse motivo não determinou a suspensão da comercialização, da distribuição ou do uso dos produtos já fabricados e disponíveis no mercado, nem seu recolhimento.
Fabricante
Em comunicado à população, a Unilever Brasil esclarece que a inspeção resultou “em oportunidades de melhorias em processos de documentação e controle relacionadas às linhas de sabão líquido para lavar roupas e amaciante líquido para roupas”.
A empresa informa que todas as ações determinadas pela Anvisa foram prontamente iniciadas, com a suspensão temporária da produção desses itens, que já estão sendo implementadas as correções e que as demais linhas de produção da unidade seguem operando normalmente dos produtos de cuidados com a casa.
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A indústria disse que continua atuando em colaboração com a Anvisa. “[A Unilever] considera os apontamentos parte importante para a evolução contínua de seus processos produtivos e de todo o setor”, conclui a nota institucional.
Fiscalização
A agência reguladora esclarece que essa vistoria faz parte de outras ações integradas de fiscalização sanitária de empresas fabricantes de saneantes, categoria que inclui produtos destinados à limpeza, desinfecção e conservação de ambientes.
Este ano, já foram realizadas sete inspeções em fabricantes, incluindo quatro dos maiores fabricantes do Brasil, conforme contabilizou a Anvisa. 

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terça-feira, 1 de setembro de 2026

SUS terá três novos medicamentos para câncer de pulmão

By: INTERVALO DA NOTICIAS
Texto: INTERVALO DA NOTICIAS  Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil 
Três novos medicamentos para o tratamento de câncer de pulmão serão disponibilizados a pacientes em tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de outubro. São eles o brigatinibe, o gefitinibe e o durvalumabe. 
De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 1,9 mil pacientes devem ser atendidos. Consideradas medicações de alta tecnologia, os remédios podem custar até R$ 643 mil por ano na rede privada.  
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O brigatinibe e o gefitinibe são duas terapias-alvo orais que atuam diretamente sobre alterações específicas das células cancerígenas. Uma das vantagens é que o remédio pode ser administrado na casa do paciente com menor incidência de eventos adversos em comparação aos esquemas convencionais de quimioterapia. 
O terceiro medicamento, o durvalumabe, estimula a capacidade do sistema imunológico de combater os tumores cancerígenos. Ele é indicado para pacientes com câncer de pulmão em estágio 3, que não podem ser tratadas com cirurgia.
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“O tratamento demonstra ganhos na sobrevida global dos pacientes”, segundo o ministério.  
As medicações serão financiadas integralmente pelo governo federal a partir da implementação da Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco), criada para ampliar a oferta de tratamentos pelo SUS.
De acordo com o ministério, serão ofertados por meio da AF-Onco 23 medicamentos oncológicos de alto custo, ampliando em 35% a oferta de tratamentos na rede pública. 
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A estimativa é de que mais de 100 mil pessoas sejam contempladas pela política, com orçamento anual estimado em R$ 2,1 bilhões.
Com informações da Agência Brasil

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sexta-feira, 17 de julho de 2026

Água mineral com bactéria e energéticos irregulares são retirados do mercado pela Anvisa

By: INTERVALO DA NOTICIAS
Texto: INTERVALO DA NOTICIAS Imagem: Divulgação
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta quinta-feira, dia 16, a suspensão da comercialização de dois lotes da Água Mineral Mamba Water e de todos os energéticos da marca Mister Hemp por questões relacionadas à segurança e à regularização dos produtos.
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No caso da água, a própria fabricante, HNJ BR Indústria de Bebidas Ltda, comunicou à Anvisa o recolhimento voluntário dos lotes 13 e 14 da versão sem gás de 350 ml. A decisão foi tomada após análises identificarem a presença da bactéria Pseudomonas, um microorganismo que pode representar riscos à saúde, especialmente para pessoas com a imunidade comprometida.
Os lotes afetados foram produzidos nos dias 3 e 4 de abril de 2026, com validade até 3 e 4 de abril de 2027. 
Conforme a determinação da Anvisa, esses produtos não podem mais ser vendidos, distribuídos ou consumidos.
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Além da água mineral, a agência também proibiu a fabricação, comercialização, distribuição, divulgação e o uso de todos os energéticos da marca Mister Hemp.
Segundo a Anvisa, a empresa responsável pelos energéticos não apresentou estudos de estabilidade, que são testes obrigatórios para comprovar que o produto mantém sua qualidade, composição e segurança durante todo o período de validade.
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A fiscalização também constatou que o fabricante não comprovou a regularização dos produtos junto ao Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), requisito indispensável para a comercialização no país.

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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Como a infertilidade masculina ainda não recebe a atenção necessária

By: INTERVALO DA NOTICIAS
Texto: CORREIO BRAZILIENSE Imagem: Divulgação
Em meados de 2020, enquanto o Reino Unido estava confinado por causa da pandemia da Covid-19, Luke e a sua mulher decidiram constituir uma família.
"Durante toda a minha adolescência, a mensagem era clara: não faça sexo sem camisinha ou você pode engravidar alguém", diz Luke. "Então, quando você fica mais velho, espera que tudo aconteça normalmente. Quando não acontece, você não sabe o que fazer nem para onde ir."
Depois de 18 meses sem conseguir engravidar, o casal procurou um clínico geral (GP, na sigla em inglês), médico responsável pelo atendimento inicial no sistema público de saúde britânico. Em seguida, foram encaminhados para exames em um hospital e em uma clínica de fertilidade.
Ao longo do ano seguinte, Luke diz que toda a atenção se voltou para a mulher. As consultas eram marcadas em nome dela. Quando precisava preencher formulários, era ela quem recebia os contatos, embora os dados dele também estivessem registrados.
"No fundo, todo o sistema parte do pressuposto de que o problema é da mulher", afirma. "A parte masculina acaba completamente negligenciada."
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Levou mais de um ano, e uma tentativa malsucedida de fertilização in vitro (FIV), para que Luke fosse informado de que poderia haver um problema com seu esperma.
"Na hora, pensei: 'Só agora vocês estão me dizendo isso?'", conta. "Havia questões do meu lado que poderiam ter sido investigadas muito antes, em vez de me tratarem como um mero acessório no processo."
A infertilidade afeta cerca de 1 em cada 6 casais. Aproximadamente metade dos casos está relacionada a fatores masculinos, isoladamente ou em conjunto com causas femininas.
As diretrizes mais recentes do Instituto Nacional de Saúde e Excelência Clínica do Reino Unido (Nice, na sigla em inglês) recomendam que casais que não consigam engravidar após 12 meses de relações sexuais sem contracepção sejam avaliados em conjunto, com homens e mulheres submetidos, paralelamente, aos exames necessários.
No Brasil, a disponibilidade de atendimentos especializados na rede pública varia bastante de uma instituição para outra, e de um Estado para outro. Além disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) contabiliza 227 centros públicos e privados de Reprodução Humana Assistida no país.
Ainda assim, especialistas afirmam que os homens frequentemente ficam em segundo plano no diagnóstico, no tratamento e até nas conversas sobre fertilidade.
"Pode haver exclusão de fato, mesmo quando ela não é intencional", afirma Bola Grace, da University College London, no Reino Unido. "Os homens nos dizem que isso acontece em diferentes etapas do atendimento: na forma como o cuidado é prestado, nas clínicas de fertilidade e até no aconselhamento."
Um estudo liderado por Grace, publicado em 2019, constatou que muitos homens gostariam de participar mais ativamente do tratamento de fertilidade, mas frequentemente sentiam que suas vozes não eram ouvidas.
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Segundo Grace, isso acaba alimentando um ciclo. Alguns serviços de fertilidade não incluem os homens de forma efetiva, eles passam a participar menos, e isso reforça a percepção de que simplesmente não têm interesse. "Criamos um ciclo em que os homens são excluídos e, depois, culpados por não participarem", afirma.
Grace diz que isso pode ter consequências concretas, não apenas para os homens, mas também para as mulheres, que muitas vezes acabam assumindo a maior parte do peso emocional e prático do tratamento, lidando com o "enfrentamento da situação, o planejamento, a preocupação e a tomada de decisões".
Essa dinâmica também pode atrasar a identificação de problemas, fazer com que exames e tratamentos sejam mais invasivos e tornar a jornada pela fertilidade mais longa e mais cara para o casal.
Diante desse cenário, como o sistema de saúde poderia oferecer mais apoio quando um homem descobre que pode ter um problema de fertilidade? E o que poderia ser feito para incentivar os homens a falar mais abertamente sobre o tema?
'Ignorados pelo sistema'
Desde o nascimento do primeiro bebê por FIV, em 1978, os tratamentos de fertilidade têm sido voltados principalmente para as mulheres, em parte por razões biológicas.
Na FIV, é preciso estimular os ovários para produzir óvulos, coletá-los, fecundá-los em laboratório e, depois, transferir o embrião formado para o útero. Já os homens, na maioria dos casos, apenas fornecem uma amostra de sêmen e aguardam que o restante do processo siga seu curso.
Esse desequilíbrio moldou a forma como o tratamento da infertilidade evoluiu, afirma Allan Pacey, professor de andrologia (especialidade médica voltada à saúde reprodutiva masculina) da Universidade de Manchester, no Reino Unido.
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Segundo Pacey, as unidades e clínicas de fertilidade costumam ser comandadas por ginecologistas, cuja formação é voltada para a saúde reprodutiva feminina. Com isso, a fertilidade masculina muitas vezes acaba ficando em segundo plano.
"Há ginecologistas excelentes que fazem esse trabalho muito bem porque têm interesse pelo tema. Mas, no atendimento do clínico geral, nas clínicas de atenção secundária ou terciária, os homens podem acabar sendo tratados como uma preocupação secundária."
Esse desequilíbrio também aparece na formulação de políticas públicas, afirma Pacey.
Recentemente, o Departamento de Saúde do Reino Unido publicou estratégias separadas para a saúde de homens e mulheres, estabelecendo a visão do governo para os próximos dez anos de assistência à saúde na Inglaterra.
Na estratégia voltada às mulheres, a fertilidade é mencionada cerca de 20 vezes, incluindo uma seção dedicada ao apoio às pacientes e às orientações clínicas. Já o documento voltado aos homens cita o tema apenas cinco vezes, quase sempre relacionado à obesidade, ao consumo de álcool ou a outros problemas de saúde.
Pacey, que também presidiu a Sociedade Britânica de Fertilidade, considera isso "uma oportunidade perdida de equilibrar o tratamento dado a homens e mulheres".
"Isso não significa, de forma alguma, que devemos fazer menos pelas mulheres. Provavelmente, deveríamos fazer ainda mais", afirma. "Mas, ao dar aos homens um papel efetivo nesse processo, podemos mudar profundamente o que acontece no futuro, tanto em relação à experiência deles quanto ao avanço das pesquisas e dos tratamentos."
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Um porta-voz do Departamento de Saúde e Assistência Social do Reino Unido afirmou que "é correto que os homens recebam o mesmo nível de apoio, informação e atendimento que as mulheres ao enfrentarem problemas de fertilidade".
Segundo o órgão, o governo continuará trabalhando com o NHS da Inglaterra para garantir que a fertilidade masculina seja "adequadamente considerada na forma como os serviços são planejados e oferecidos".
Em determinado momento, Luke fez uma ultrassonografia dos testículos, mas passou mais de um ano sem receber o resultado. Só obteve uma resposta depois de voltar a procurar a clínica para cobrar uma posição.
A revisão do exame identificou uma varicocele — dilatação das veias do escroto que pode comprometer a qualidade dos espermatozoides. Ele foi tratado, mas as dificuldades do casal para engravidar continuaram.
Foram necessários mais nove meses, e uma consulta paga com um andrologista particular, para que Luke recebesse orientações individualizadas sobre alimentação e hábitos de vida.
"Foi um período muito difícil e solitário", diz Luke. "Primeiro vem o impacto de descobrir que existe um fator masculino envolvido, algo que contraria muitos estereótipos sobre masculinidade. Depois vem uma segunda camada: a sensação de ter sido completamente deixado de lado e ignorado pelo sistema."
Agora, o casal está no meio de uma nova tentativa de FIV, desta vez utilizando a técnica conhecida como ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozoide). Nesse procedimento, um único espermatozóide é injetado diretamente no óvulo com uma agulha extremamente fina, em vez de a fecundação ocorrer pela exposição do óvulo a milhares de espermatozoides em laboratório.
Momento de 'enfiar a cabeça na areia'
Especialistas dizem que esse cenário começa a mudar, mas lentamente. "As coisas estão caminhando na direção certa, mas ainda estamos muito atrasados", afirma Hussain Alnajjar, cirurgião urológico do University College London Hospitals e da Cleveland Clinic London, ambos no Reino Unido.
Por exemplo, já é mais comum que um homem seja encaminhado a um especialista antes da parceira quando um espermograma inicial indica a possibilidade de algum problema.
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"É isso que quero dizer quando afirmo que as coisas estão mudando, mas devagar", diz Alnajjar. "Mas no geral, as mulheres ainda têm muito mais probabilidade de serem avaliadas primeiro quando o assunto é infertilidade."
Para homens como James, de 34 anos, de North Yorkshire, norte da Inglaterra, essa lentidão marcou toda a experiência.
Depois que ele e a mulher tiveram dificuldades para engravidar, James passou pelo que descreve como um "momento de enfiar a cabeça na areia": ficou meses evitando encarar o problema enquanto a parceira fazia todos os exames e avaliações.
"Todos os dias penso naquele momento e no tempo que perdemos", afirma James.
James estava trabalhando em uma obra quando finalmente recebeu o resultado do espermograma. Foi informado de que seus espermatozóides eram "fracos, lentos e apresentavam malformações" e, mais tarde, descobriu que teria dificuldade para conceber naturalmente. A viagem de quase três horas de carro até em casa naquele dia foi "como um borrão, muito dolorosa".
O diagnóstico também demorou. Foram necessários mais dois anos, e uma consulta particular com um urologista, para que ele passasse por um exame físico completo e por testes hormonais mais detalhados.
Depois de anos de tentativas e de vários ciclos de FIV, o tratamento do casal não teve sucesso. "Você ama a sua parceira incondicionalmente, mas passa a se enxergar como a causa do sofrimento dela", diz James. "Sente que é o motivo de ela não conseguir ter um filho."
A infertilidade masculina costuma ser associada a ideias de virilidade e masculinidade, o que torna ainda mais difícil para alguns homens reconhecer ou falar sobre o problema.
Pacey, da Universidade de Manchester, lembra de ouvir o relato de um churrasco em que "as mulheres estavam de um lado conversando sobre FIV, enquanto os homens, do outro, falavam sobre futebol".
James diz que nunca encarou seus problemas de fertilidade como uma ameaça à masculinidade. Ainda assim, o estigma em torno do tema fez com que tivesse dificuldade para encontrar apoio.
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"Fica só você e a sua parceira lidando com tudo isso. Dá a sensação de que vocês estão isolados, como se não existisse mais ninguém passando pela mesma situação", afirma James. "Você não sabe para onde ir, a quem recorrer nem o que dizer."
Pela legislação do Reino Unido, as clínicas de fertilidade são obrigadas a oferecer aconselhamento antes do tratamento. No entanto, esse serviço não precisa ser gratuito nem contínuo.
A Autoridade de Embriologia e Fertilização Humana (HFEA, na sigla em inglês), órgão britânico regulador do setor, afirma que há muito menos grupos de apoio, tanto presenciais quanto virtuais, para homens do que para mulheres. Ainda assim, há sinais de que essa realidade começa a mudar.
Shaun Greenaway, de 43 anos, recebeu em 2018 o diagnóstico de azoospermia, uma condição caracterizada pela ausência de espermatozóides no esperma. A causa não é conhecida, embora ele tenha tido caxumba grave na adolescência, infecção viral associada ao risco de infertilidade masculina.
Greenaway e a mulher acabaram tendo filhos por meio de doação de esperma, mas diz que enfrentou grande parte dessa trajetória sozinho.
"Não havia absolutamente nenhum apoio e ninguém falava sobre isso a partir da própria experiência. Então decidi contar a minha história", afirma Greenaway.
Ao lado do amigo Ciaran Hannington, de 40 anos, ele criou o Male Fertility Podcast (Podcast sobre Fertilidade Masculina, em tradução livre) e uma rede de apoio para homens com problemas de fertilidade, que reúne grupos no WhatsApp e encontros presenciais.
Os dois comparam o debate sobre infertilidade masculina hoje ao que acontecia com a saúde mental há cerca de dez anos: um tema que ainda é cercado por tabus, mas que aos poucos começa a ser discutido com mais abertura.
"Existe um estigma muito arraigado. Infelizmente, é um daqueles assuntos aos quais você não dá atenção até ser diretamente afetado", diz Hannington, que também descobriu ter problemas de fertilidade em 2012.
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Hannington conta que levou dois anos para "assumir o controle" da situação e mudar os hábitos de vida: melhorou a alimentação, deixou de consumir álcool e ajustou a rotina de exercícios.
Depois de sete tentativas de FIV e de dois abortos espontâneos, a mulher dele, Jennifer, finalmente deu à luz um menino e uma menina.
Estudos mostram que estresse, noites mal dormidas, tabagismo, consumo de álcool e alimentação podem comprometer a qualidade do sêmen. Mas mudanças pequenas e de curto prazo no estilo de vida dificilmente produzem resultados significativos, afirma Pacey, da Universidade de Manchester.
"Qualquer mudança de hábito precisa ser mantida ao longo do tempo", diz. "O organismo leva cerca de três meses para produzir um espermatozoide, do início ao fim. Portanto, se você parar de beber numa sexta-feira à noite, não espere ver melhora até a segunda-feira de manhã."
No entanto, nem todos os homens seguem essa orientação.
Greenaway diz que já ouviu relatos de algumas mulheres, "nunca de homens, por sinal", contando que seus parceiros se recusaram a abandonar o cigarro, o álcool e as drogas, mesmo depois de serem informados de que esses hábitos poderiam reduzir as chances de terem filhos. "Sabemos que o sistema de saúde precisa evoluir, mas isso depende dos dois lados", afirma. "E alguns homens, e também algumas mulheres, precisam fazer a parte deles."
Um pequeno estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Dundee, na Escócia, publicado em 2022, constatou que cerca de um em cada seis especialistas em fertilidade na Europa afirmava enfrentar dificuldades frequentes para convencer homens a fazer um espermograma.
A nível global, alguns homens relataram constrangimento em fornecer uma amostra de sêmen. Outros acreditavam não ter problemas de fertilidade simplesmente porque eram sexualmente ativos ou porque já haviam tido filhos.
Sinais de mudança
Há indícios de que essa realidade começa a mudar.
Novos planos de aula de PSHE (sigla em inglês para educação pessoal, social, em saúde e econômica) para escolas da Inglaterra, desenvolvidos pela Sociedade Britânica de Fertilidade e pela Universidade de Cardiff, no País de Gales, passaram a dar aos fatores de risco para a fertilidade masculina, como má alimentação, tabagismo e uso de esteroides anabolizantes, a mesma importância atribuída aos riscos enfrentados pelas mulheres.
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Na edição deste ano da Fertility Show, realizada no centro de exposições Olympia, em Londres, e que reuniu cerca de 2.000 pessoas ao longo de dois dias, os organizadores afirmaram que a infertilidade masculina ocuparia, pela primeira vez, um lugar de destaque.
Estandes com kits de alta tecnologia para análise de sêmen dividiram espaço com serviços já consolidados, como congelamento de óvulos e suplementos para gestação. Também houve palestras sobre qualidade do sêmen e as opções mais recentes de tratamento para homens.
"Não se trata de um acréscimo simbólico. Nem de um tema tratado à parte", afirma Sophie Sulehria, diretora de conteúdo do evento. "É reconhecer que a fertilidade masculina não é um assunto de nicho. Ela é parte fundamental da saúde reprodutiva e merece a mesma visibilidade, o mesmo investimento e o mesmo grau de acolhimento."
Médicos que atuam na área também afirmam perceber uma mudança de cenário, e dizem que ela é importante por razões que vão além da possibilidade de ter filhos.
Para Alnajjar, que também representa a British Association of Urological Surgeons, há evidências crescentes de que a infertilidade masculina pode ser um indicador de problemas de saúde mais amplos, como obesidade, tabagismo ou alterações hormonais.
"Homens mais saudáveis tendem a apresentar melhor saúde reprodutiva, e um espermograma alterado pode, às vezes, ser o primeiro sinal de que uma investigação médica mais aprofundada é necessária", afirma Alnajjar. "Por isso, acredito que a infertilidade masculina não deve ser vista apenas como uma questão ligada à gravidez. 
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Ela também deve ser reconhecida como um importante problema de saúde masculina e uma oportunidade para intervenção precoce."
Para homens como James, cuja vida foi profundamente marcada pela infertilidade, mudanças como essas não podem demorar mais. "Não vamos acabar com o estigma que ainda existe se continuarmos fingindo que o problema não existe", diz. "Só vamos mudar isso falando abertamente sobre o assunto."
"Quanto mais natural for essa conversa, menos pessoas vão tratá-la como um tabu ou achar que um homem é menos homem por falar sobre infertilidade."

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