By: INTERVALO DA NOTICIAS
Texto: TERRA – Imagem: Valter Campanato (Agência Brasil)
“Não reconhecemos a legitimidade do governo Michel Temer. Entendemos que esse processo é resultado de um golpe e é importante simbolizar a resistência que está acontecendo no Brasil inteiro”, disse Bia. Para ela, Dilma também foi afastada porque é mulher: “e são os direitos das mulheres que mais vão ser atingidos nesse governo se ele se consolidar depois do final do processo (de impeachment) no Senado”, completou.
Acorrentadas e sentadas no chão, elas seguravam cartazes que formam a frase “Resistência contra o golpe”.
Na lista de novos ministros divulgada pela vice-presidência não consta o
Ministério das Mulheres, Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos
Humanos. Além disso, nenhuma mulher foi nomeada como ministra para o
governo interino.
Até o fechamento desta reportagem, as mulheres continuavam acorrentadas
e disseram que cumpririam o "simbolismo" de, como Dilma saiu do
Planalto "à força", elas também sairiam do local da mesma maneira. Pouco
depois das 14h, três bombeiros foram até elas, um deles com um grande
alicate, mas não chegaram a quebrar as correntes. Além das mulheres, um
grupo de apoio permanece na avenida em frente ao prédio, com sombrinhas e
algumas bandeiras.
Hostilização à imprensa
A Polícia Militar do Distrito Federal informou que cerca de 4 mil
manifestantes, todos pró-governo, estiveram hoje na frente do Palácio do
Planalto para acompanhar a saída de Dilma. Não houve ocorrências
graves, nem violência física, mas a imprensa foi hostilizada por um
grupo de manifestantes.
Antes do pronunciamento de Dilma a seus apoiadores na parte externa do
Palácio do Planalto, os manifestantes derrubaram as cercas que isolavam a
imprensa e cercaram os jornalistas por alguns minutos gritando “mídia
golpista”.
No momento em que a presidente Dilma terminou seu discurso e se dirigiu
aos manifestantes para abraçá-los, parte dos presentes iniciou uma
série de agressões a jornalistas. Os repórteres de texto e imagem que
acompanhavam a movimentação foram deslocados para um cercado em que
poderiam observar os acontecimentos, mas foram surpreendidos por
militantes que se voltaram contra eles com agressões verbais e físicas.
Uma manifestante correu em direção a duas jornalistas e deu um chute em
uma delas. Um cinegrafista foi derrubado no chão e outro profissional
de TV, que transmitia ao vivo os fatos, teve o seu microfone retirado e
também foi agredido fisicamente. A hostilização só não continuou porque
outros jornalistas e membros da Força Nacional interviram para proteger
os profissionais de imprensa.
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