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INTERVALO DA NOTICIAS
Texto: BRASIL 247 – Imagem: Brasil 247Segundo a Agência Câmara, a proposta aprovada segue agora para análise
do Senado. O texto foi relatado pelo deputado Arnaldo Jardim
(Cidadania-SP) e aprovado na forma de substitutivo ao Projeto de Lei
2780/24, de autoria do deputado Zé Silva (União-MG) e outros
parlamentares.
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O objetivo central da regulamentação é impedir que o Brasil permaneça
apenas como exportador de commodities minerais, estimulando a agregação
de valor dentro do território nacional. As terras raras e os minerais
críticos são insumos fundamentais para smartphones, carros elétricos,
baterias, sistemas militares, turbinas eólicas e tecnologias ligadas à
transição energética.
"O Brasil não pode ser mero exportador de commodities minerais, deve
ter estratégia, política de agregar valor, e usar esse benefício
geológico como instrumento de desenvolvimento", afirmou Arnaldo Jardim.
O que são minerais críticos e estratégicos
O projeto define
minerais críticos como aqueles cuja disponibilidade está ou pode estar
em risco devido a limitações na cadeia de suprimento. Sua escassez
poderia afetar áreas prioritárias da economia nacional, como transição
energética, segurança alimentar e nutricional e segurança nacional.
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Já os minerais estratégicos são aqueles que têm importância especial
para o Brasil por causa da existência de reservas significativas no
país. Esses recursos podem contribuir para a geração de superávit na
balança comercial, o desenvolvimento tecnológico e a redução de emissões
de gases de efeito estufa.
Na prática, a regulamentação busca
criar uma política de Estado para substâncias como terras raras, lítio,
níquel, grafita e outros insumos indispensáveis à indústria de alta
tecnologia.
Conselho nacional definirá a lista de minerais
Um
dos principais pontos do projeto é a criação do Conselho Nacional para
Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (Cimce).
Esse
órgão será responsável por definir quais substâncias serão enquadradas
como minerais críticos e estratégicos. A lista deverá ser atualizada a
cada quatro anos, em alinhamento com o Plano Plurianual.
O
conselho também terá a função de decidir quais projetos serão
considerados prioritários. Apenas esses projetos poderão acessar
instrumentos de fomento e apoio previstos na nova política.
Fundo garantidor terá aporte de R$ 2 bilhões
A proposta cria o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (Fgam), com aporte inicial de R$ 2 bilhões da União.
O
fundo será usado para oferecer garantias a empreendimentos ligados à
produção de minerais críticos e estratégicos. A ideia é reduzir riscos
financeiros, facilitar investimentos e estimular projetos de
beneficiamento e transformação no Brasil.
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O Fgam poderá cobrir
risco de crédito e apoiar instrumentos de mitigação de riscos, como
hedge de preços, liquidez e performance contratual.
Também poderá atuar em parceria ou coinvestimento com bancos
públicos, bancos privados, fundos soberanos, organismos multilaterais e
agências de desenvolvimento.
Incentivos fiscais somam R$ 5 bilhões
Além
do fundo garantidor, a regulamentação prevê um programa específico para
incentivar o beneficiamento e a transformação de minerais críticos e
estratégicos em território nacional.
O programa terá R$ 5 bilhões em créditos fiscais ao longo de cinco anos.
Esse
é um dos pontos centrais do projeto, pois busca evitar que o Brasil
apenas extraia e exporte matéria-prima bruta, enquanto outros países
concentram as etapas mais lucrativas da cadeia produtiva.
Empresas terão obrigações de investimento
O
texto estabelece que empresas ligadas à pesquisa mineral, lavra,
beneficiamento e transformação de minerais críticos e estratégicos
deverão destinar parte de sua receita operacional bruta ao setor.
Durante seis anos após a regulamentação, essas empresas deverão direcionar 0,2% da receita ao Fgam.
Outros
0,3% deverão ir para projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação
tecnológica relacionados à pesquisa, lavra, beneficiamento e
transformação desses minerais.
Depois desse período, a soma dos dois percentuais, equivalente a 0,5%, será destinada a projetos de inovação e desenvolvimento.
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A regulamentação também cria o Cadastro Nacional de Projetos de Minerais Críticos e Estratégicos (CNPMCE).
Somente
projetos inscritos nesse cadastro e habilitados pelo conselho poderão
acessar os instrumentos de fomento previstos na política nacional.
O
cadastro reunirá informações enviadas por órgãos federais, estaduais,
municipais e distritais sobre projetos implementados no país.
Farão
parte do cadastro os projetos com relatório final de pesquisa que
identifiquem a presença de minerais críticos e estratégicos e os
empreendimentos localizados em áreas estratégicas definidas pelo Poder
Executivo.
Leilões terão prioridade para áreas estratégicas
As
áreas com potencial para produção de minerais críticos e estratégicos
deverão ser priorizadas nos leilões da Agência Nacional de Mineração
(ANM), inclusive áreas desoneradas.
Áreas desoneradas são aquelas
cujo direito minerário foi extinto por renúncia, desistência,
caducidade ou indeferimento e que retornaram ao controle da agência.
Pelo projeto, essas áreas deverão ser submetidas a leilão pela ANM no prazo máximo de dois anos.
A
autorização de pesquisa em áreas com minerais críticos ou estratégicos
terá prazo máximo improrrogável de dez anos. Caso o interessado não
apresente relatório final de pesquisa nesse período, o direito minerário
será extinto por caducidade.
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Outro
ponto destacado por Arnaldo Jardim é a chamada “mineração urbana”,
conceito que envolve a reciclagem e recuperação de minerais críticos
presentes em resíduos eletroeletrônicos, baterias, veículos em fim de
vida, entulho de construção e aterros.
"Temos
instrumentos modernos com abundante uso de minerais críticos, como
nossos celulares e computadores. Ter uma política de recuperar esses
minerais é tão importante quanto ter de extração", afirmou o relator.
Segundo
Jardim, a política poderá fortalecer uma economia circular desses
insumos e tornar a indústria brasileira mais competitiva.
"Firmará
o país como grande produtor de óxidos de terras raras, estimulará a
reciclagem através da mineração urbana e tornará nossa indústria de
transformação mais competitiva", disse.
Debate sobre soberania e papel do Estado
A aprovação do projeto ocorreu em meio a divergências sobre o papel do Estado e a atuação do capital estrangeiro no setor.
O deputado Pedro Uczai (PT-SC) defendeu a criação de uma empresa pública para coordenar a política de minerais estratégicos.
"Queremos Terrabras que efetivamente produza ciência e inovação", declarou.
O deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) também defendeu a criação da estatal.
"Hoje
estamos dando um passo importante, mas insuficiente. Em um Congresso
mais progressista, vamos ter a convicção da necessidade de defender o
interesse nacional de criação da Terrabras, uma empresa que possa
efetivamente fazer o que a Petrobras fez com o petróleo e a Embrapa com a
agricultura", afirmou.
A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) alertou para o risco de apropriação estrangeira das riquezas minerais brasileiras.
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"O
mundo quer botar a mão aqui. Quer tirar a nossa riqueza em benefício da
sua tecnologia e da sua soberania, não a nossa. Estamos falando de
transição digital, energética, defesa nacional, ambiental. São questões
definidoras da geopolítica mundial", disse.
Já o líder da
federação Psol-Rede, deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ), criticou o que
classificou como papel “rebaixado” do Estado.
"O Estado se
manterá apenas como indutor e facilitador, isso significará que
continuaremos exportando minério e fazendo com que a riqueza desses
minérios seja internalizada, sobretudo, no estrangeiro", afirmou.
Próxima etapa é o Senado
Com
a aprovação na Câmara, o projeto segue agora para o Senado. Caso também
seja aprovado pelos senadores, a proposta seguirá para sanção
presidencial.
A regulamentação das terras raras e dos minerais
críticos ocorre em um momento de disputa global por insumos
estratégicos. Para o Brasil, o desafio será transformar suas reservas
minerais em base para desenvolvimento tecnológico, soberania industrial e
fortalecimento da economia nacional.
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