terça-feira, 21 de novembro de 2017

'É uma questão pontual da família e não da escola', diz Rollemberg sobre criança que desmaiou de fome no DF



By: INTERVALO DA NOTICIAS
Texto: G1 Imagem: G1


O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) falou pela primeira vez, neste sábado (18), sobre a criança de 8 anos que desmaiou de fome em uma escola pública do Distrito Federal. Segundo Rollemberg, o caso do menino "é pontual" e reflete a condição da família e não da escola.
"Essa é uma família carente, assistida pelo governo. Uma família de catadores que morava no Setor Noroeste e ganhou um apartamento no Paranoá Parque", disse o governador ao reforçar que a família recebe assistência através dos programas Bolsa Família e DF Sem Miséria. 
De acordo com Rollemberg, a escola também serve refeições "equivalentes a almoço" durante a tarde, três vezes por semana. O GDF diz que estuda mudanças no cardápio e que enviou nutricionistas para avaliar "as necessidades" dos alunos da Escola Classe 8.
Sem almoço
O menino que desmaiou de fome nesta semana, enquanto assistia à aula em uma escola do Cruzeiro, mora no Paranoá Parque – um condomínio do programa Minha Casa, Minha Vida. Como não há colégio público no local, 250 crianças percorrem 30 quilômetros, todos os dias, para frequentar a escola.
Segundo os professores, o problema é que as crianças precisam sair de casa duas horas antes do horário da escola – a aula começa às 13h - e muitas não conseguem almoçar antes de sair. Além, disso, o lanche é servido só às 15h30.
"Ficam dispersos, não prestam atenção. Eles falam: 'tia, tô com fome.' [...] A escola faz o que pode, chama a família, o Conselho Tutelar, não é omissão da escola", disse a professora Ana Carolina Costa que atendeu o aluno que passou mal. 
"A gente chamou o Samu. Quando o Samu chegou e fez o atendimento, e viu que era fome, até o rapaz praticamente chorou."
Após recobrar os sentidos, o menino contou aos médicos do Samu qual tinha sido a última refeição: um prato de mingau de fubá, comido no dia anterior.
Os professores da Escola Classe 8 dizem ver sentido na alegação da Secretaria de Educação – que oferece almoço apenas para crianças em turno integral, que passam o dia nos colégios –, mas pedem que uma exceção seja aberta a esses alunos, em razão do trajeto e da condição social.
"O que a escola precisa é que seja ofertado um complemento. A gente não vai alimentar essas crianças com biscoito", diz a professora Fabiane Rios.
A reclamação é encampada pelo Sindicato dos Professores (Sinpro-DF), que diz já ter enviado contestação ao governo sobre o caso. "Já pedimos diversas vezes para oferecer almoço e lanche para essas crianças. Como elas vêm de muito longe, não dá para ficar só com o lanche parcial", diz o diretor da entidade, Samuel Fernandes. 
"A gente se sentiu impotente. Como uma criança desmaia de fome?"
Por que tão longe?
Ao ser questionada sobre a necessidade de enviar essas crianças para um colégio a 30 km de distância, a Secretaria de Educação do DF disse que existe previsão para construir escolas no Paranoá Parque e no Itapoã, mas "não há disponibilidade financeira imediata para essas obras".
Os terrenos já foram separados, e uma dessas escolas já tem projeto pronto. Agora, a secretaria diz aguardar "dotação financeira", ou seja, dinheiro para colocar a obra em pé. A pasta diz que, ao todo, 730 crianças usam o transporte escolar público para sair do Paranoá Parque e chegar a escolas em outras regiões.
"A Secretaria acrescenta que 84 crianças que estão cursando o 5º ano no Cruzeiro, irão cursar o 6º ano nos Centros de Ensino Fundamental 03 e 05 do Paranoá, em 2018", diz a nota da secretaria.
 
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