terça-feira, 22 de agosto de 2017

Padre preso nega abusos ao MP-GO, mas confirma que tocava em partes íntimas de jovens 'para santificação'



By: INTERVALO DA NOTICIAS
Texto: G1 Imagem: Divulgação


O padre Iran Rodrigo Sousa de Oliveira, de 45 anos, preso suspeito de cometer abusos com promessa de “recuperar a virgindade”, negou os crimes em depoimento ao Ministério Público de Goiás (MP-GO). Porém, de acordo com o promotor de Justiça Danni Sales Silva, o pároco confirmou que tocava em partes íntimas das fiéis ou em fotos enviadas por aplicativo de celular para 'santificá-las' em um ritual religioso.
A promotoria divulgou nesta segunda-feira (21), que durante o depoimento, colhido na última sexta-feira (18), o padre explicou que tem o "dom da cura" pelas mãos, que foi crescendo gradativamente. Ainda conforme Oliveira, ele não poderia negar sua missão de interceder pelas pessoas.
"Há toque representativo de fé, de santidade, de cura, que são estes os toques que foram praticados, que se estivesse com má intenção em quaisquer das intervenções de toque muito antes de curar, teria amaldiçoado", disse Oliveira.
O MP investiga pelo menos cinco abusos que teriam sido cometidos pelo padre, que foi preso preventivamente na última quarta-feira (16) na cidade de Caiapônia, no sudoeste de Goiás. Depois, ele foi transferido para Anicuns, a 76 km de Goiânia, onde permanece detido.
De acordo com as investigações, há suspeita de que os crimes fossem cometidos desde 2005. Inicialmente, a acusação era de dois crimes contra uma jovem, de 21 anos, e uma adolescente, de 14, na época do crime, em 2014. Depois que o caso veio à tona, outras três jovens procuraram o MP para denunciar o pároco. 
Abusos
De acordo com as investigações, os abusos aconteciam dentro da casa paroquial e duravam de 1h a 1h30. Silva afirma que todas as vítimas são profundamente religiosas e do sexo feminino.
As fiéis relataram ainda ao Ministério Público que se sentem culpadas por terem deixado ser abusadas pelo padre. “Uma delas chorou do início ao fim do depoimento, perguntando se ela era culpada por aquilo. Ela chegou até a pesquisar na internet se aquele tipo de benção, tocando as partes íntimas, existia dentro da Igreja Católica”, contou o promotor.
Segundo o padre, antes de tocá-las, ele perguntava se as fiéis permitiam. "Ele relatou que tocava sempre com as mãos espalmadas, tocava na parte externa da vagina fazendo o sinal da cruz, com completa ausência de libido e se mantinha de olho fechado", contou o promotor.
De acordo com o MP, os abusos ocorriam tanto presencialmente quanto por meio de um aplicativo de celular. "Nestes casos, as pessoas mandavam as fotos do peito, quadril, coxas, nádegas e das partes íntimas. Ao receber a foto, ele tocava pelo celular e tinha o 'poder de cura'", relata.
Para Silva, o padre comenteu os crimes de adquirir e armazenar fotos de conteúdo pornográfico e violação sexual mediante fraude. "É inconcebível, a alegação dele não justifica esse tipo de intervenção, viola a dignidade humana", conclui.
Na ocasião da prisão, o bispo diocesano de São Luís de Montes Belos de Goiás, responsável pela paróquia de Americano do Brasil, da qual o padre preso faz parte, informou à TV Anhanguera que o pároco deve ficar afastado das atividades durante as investigações e que ele ainda é suspeito e não culpado.
Defesa
O advogado Leonardo Couto Vilela, que defende o padre, negou que o religioso tenha cometido algum crime informou. Ele informou na tarde desta segunda-feira (21), que o "o dom da cura poderia ser em qualquer membro, já que, segundo o padre, o corpo é único, porém com funções diferentes". 
Vilela explicou que o " sinal da cruz sempre estava presente, razão pela qual ele desconhece qualquer penetração de dedos que alegam existir. O sinal da cruz pelas mãos ungidas e sempre espalmadas (e com os olhos fechados) era a forma de buscar a santificação. O movimento corpóreo em oração (3 Ave Marias) significa que o corpo em movimento vai de encontro à oração Pentecostal e que auxiliaria no recebimento da graça".
Ainda de acordo com o advogado, as fotos de vários ângulos serviam "justamente para que o padre pudesse ungir com o sinal da cruz as partes que se interligavam mais próximas com o local que se buscava a graça. Por exemplo: estando a pessoa com problemas no joelho, buscava-se a unção das coxas, sobrecoxas, quiçá os pés". 

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