segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Recém-nascido é encontrado no lixo


By: INTERVALO DA NOTICIAS
Texto: PORTAL V VALE Imagem: Mariana Honesko

Eram pouco antes das oito horas da manhã desta segunda, 5, quando o coletor, Walmir da Cruz, de 20 anos, percebeu que tinha algo diferente naquele caixote para lixo, instalado modestamente na frente de uma das casas da Rua da Alegria, no bairro Vice King, em Porto União. Achou que era um filhote de cachorro, talvez machucado. Mas não era. Assustado, foi desdobrando os cobertores finos que enrolavam aquele pequeno corpo. Era um bebê. Uma menina, respirando calma, ainda com o cordão umbilical na barriguinha. Era a vez de Walmir pegar o lixo daquela casa. Era a vez de ele ser herói, o anjo na vida de uma criança.
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“Eu tinha começado a trabalhar às 7 horas. Encontrei ela umas 7h30. Eu estava vindo e quando cheguei naquele caixote, pensei que era um cachorro. Levantei, se mexeu e era uma criança. Me amoleceu tudo na hora. Peguei no colo com jeito para não machucar e uma vizinha do lado viu. Eu disse que era um neném e ela ajudou”, conta, emocionado o jovem funcionário, jovem de idade e na empresa Ecovale.
Por lá, são apenas oito meses de trabalho. Pouco tempo, mas tempo suficiente para narrar o fato a vida toda. Walmir, que é casado e pai, cumpriu o expediente normalmente, mas com o pensamento na pequena menina que marcou sua semana – e sua vida. “Ela naquele cobertor, naquele frio. Tinha sacola em cima. Quero ir no hospital, ver como ela está. Se for possível, eu passo ela para o meu nome”, sorri.
Local que o bebê foi encontrado
O catador encontrou nessa aventura especial, uma aliada. É a vizinha mencionada por ele, uma mulher doce, já vovó e que na conversa com a reportagem, preferiu não revelar sua identidade. Experiente, ela logo soube o que fazer tão logo pegou a menininha no colo.
“Esquentei uma bolsa de água quente e coloquei nela, pra aquecer. Olhei os sinais vitais. Foi algo triste, mas muito alegre para ela também. Recolhi eles aqui e liguei para a polícia e para os bombeiros”, conta.
Enfrentando as primeiras horas geladas do dia, o abandono, as precárias condições e o lixo, a menina sobreviveu. Foi o milagre da Rua Alegria. Um logradouro com esse nome, só poderia ter uma história com final feliz. Até o momento, apesar do começo um tanto torto, a narrativa é doce.
A menina, batizada informalmente pela equipe do hospital de Maria Vitória, passa bem. Ela está no Hospital São Braz, onde deve permanecer por mais dez dias, conforme a enfermeira Vanderleia.
“Ela chegou aqui e já foi assistida pela pediatra. Ela chegou bem, foi examinada e encaminhamos para a incubadora. Depois, foram tomadas as medidas como vacina, peso. Ela está muito bem”.
Funcionária desde 1979 na casa de saúde, a enfermeira jamais tinha vivido uma experiência tão impactante. Ao falar sobre a mocinha que está cuidando, se emociona.
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“Informalmente, estou chamando-a de Maria Vitória. É só para termos uma proximidade com ela. Todos esses anos que passei, é o primeiro caso que eu enfrento. É uma emoção muito grande, confesso. Quando eu a vi, chorei. Não tem como controlar”, diz.
Maria Vitória tem 3.350 quilos e 47 centímetros, portanto, não é um bebê prematuro. A equipe de saúde acredita que o encontro dela aconteceu cerca de uma hora após o nascimento.
E o destino?
Conforme informou a equipe de assistência social da prefeitura de Porto União, a bebê segue sob os cuidados médicos pelos próximos dias. A investigação do caso está sendo feita pela Polícia. Caso nenhum familiar seja encontrado, a menina será abrigada e depois, irá para adoção.
Empresa fará homenagem
Walmir da Cruz, de 20 anos
O ator heroico do catador, mobilizou toda a equipe da empresa Ecovale. Conforme a empresária Scheila Antunes de Lima. “A gente se envolveu, queremos visitar a neném e estamos felizes que foi dado o socorro na hora certa. Vamos lançar uma campanha nas nossas redes sociais para atender essa criança”, sorri. Conforme ela, em mais de 20 anos de empresa, esse tipo de encontro jamais havia acontecido.
Agora, a Ecovale tem história e um herói como funcionário. “Isso motivou toda a equipe. Vamos fazer uma moção de aplausos para ele. Ficamos muito felizes, especialmente por conta do reconhecimento que eles, os meninos, vem recebendo”.
Walmir, que parece ter vocação para anjo, já socorreu a vizinha (sim, aquela que ajudou com a bolsinha de água quente) a se livrar de uma cobra.


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