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INTERVALO DA NOTICIAS
Texto: CNN Brasil – Imagem: DivulgaçãoPela primeira vez em séculos, líderes católicos foram impedidos de entrar na Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém no Domingo de Ramos, de acordo com autoridades eclesiásticas da cidade santa.
O Patriarcado Latino de Jerusalém afirmou que a polícia israelense impediu que os principais líderes da igreja entrassem para celebrar a missa.
“Pela
primeira vez em séculos, os líderes da Igreja foram impedidos de
celebrar a Missa do Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro”,
afirmou o Patriarcado em comunicado divulgado no domingo (29).
“Este incidente constitui um grave precedente e desrespeita a
sensibilidade de bilhões de pessoas em todo o mundo que, nesta semana,
voltam seus olhares para Jerusalém.”
O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa, o período mais sagrado do calendário cristão, com a liturgia deste domingo comemorando a entrada de Jesus em Jerusalém. Acredita-se que a igreja seja o local do sepultamento e da ressurreição de Jesus.
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A medida surge em um momento em que as autoridades israelenses restringem o acesso a locais religiosos em Jerusalém Oriental, incluindo a Mesquita de Al-Aqsa e o Muro das Lamentações, em meio à guerra com o Irã, alegando preocupações com a segurança.
Israel capturou Jerusalém Oriental da Jordânia na guerra de 1967
e travou diversas guerras desde então, mas restrições abrangentes ao
acesso a locais sagrados – particularmente durante importantes períodos
religiosos – têm sido raras.
O
governo italiano também criticou a decisão da polícia de impedir o
acesso à igreja e os planos de convocar o embaixador israelense em Roma.
O Patriarcado já havia cancelado a tradicional procissão do Domingo de Ramos em Jerusalém devido ao conflito, que levou o Irã a disparar milhares de projéteis contra Israel.
Os dois altos funcionários da Igreja, incluindo o Cardeal Pierbattista Pizzaballa,
“foram detidos no meio do caminho, enquanto se deslocavam em caráter
privado e sem quaisquer características de uma procissão ou ato
cerimonial, e foram obrigados a retornar”, disse o Patriarcado .
Impedir a entrada deles “constitui uma medida manifestamente irrazoável e grosseiramente desproporcional”, acrescentou.
O
Patriarcado também acusou as autoridades israelenses de uma “decisão
precipitada e fundamentalmente falha, contaminada por considerações
impróprias”.
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O
gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou
que não havia "nenhuma intenção maliciosa" na proibição, apenas preocupação com a segurança dos participantes da celebração.
“No
entanto, dada a santidade da semana que antecede a Páscoa para os
cristãos do mundo todo, as forças de segurança de Israel estão
elaborando um plano para permitir que os líderes religiosos realizem
seus cultos no local sagrado nos próximos dias”, acrescentou o gabinete
de Netanyahu.
A polícia israelense afirmou que todos os locais sagrados da Cidade Velha de Jerusalém
foram "fechados aos fiéis, particularmente os locais que não possuem
espaços protegidos padrão, a fim de salvaguardar a segurança pública".
“A
Cidade Velha e os locais sagrados constituem uma área complexa que não
permite o acesso de veículos de emergência e resgate de grande porte”,
afirmou a polícia em comunicado.
O número de judeus autorizados a rezar no Muro das Lamentações, em Jerusalém, foi limitado a 50 por dia, enquanto os muçulmanos estão completamente proibidos de acessar a Mesquita de Al-Aqsa desde o início da guerra, no final de fevereiro, incluindo todo o mês sagrado do Ramadã.
Governo brasileiro condena ação
O governo brasileiro manifestou
repúdio à ação da polícia israelense que impediu, neste domingo (29), o
acesso do cardeal Pierbattista Pizzaballa, patriarca latino de
Jerusalém, e do custódio da Terra Santa, monsenhor Francesco Ielpo, à
Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém Oriental, onde celebrariam a
missa do Domingo de Ramos.
Em
nota à imprensa, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que “essa
ação ocorre na sequência da imposição, por autoridades israelenses, ao
longo das últimas semanas, de restrições à entrada de fiéis cristãos no
referido santuário, assim como de fiéis muçulmanos, durante o Ramadã, na
Esplanada das Mesquitas (‘Haram Al-Sharif'), também em Jerusalém
Oriental”.
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O Itamaraty considerou o episódio como de extrema gravidade, ressaltando que tais ações “contrariam o status quo histórico
dos locais sagrados e o princípio da liberdade de culto”. A nota
lembrou ainda o parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça, de
19 de julho de 2024, concluiu que “a continuada presença de Israel no
Território Palestino Ocupado é ilícita”.
“Aquele país [Israel] não está
habilitado a exercer soberania em nenhuma parte do Território Palestino
Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental”, destaca a nota.
Itália denuncia 'insulto' à liberdade religiosa
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que seu governo apoia o cardeal Pizzaballa e outros líderes religiosos.
“O
Santo Sepulcro em Jerusalém é um lugar sagrado do cristianismo e, como
tal, deve ser preservado e protegido”, acrescentou Meloni. Impedir que
líderes religiosos entrem na igreja “constitui um insulto não apenas aos
fiéis, mas a toda comunidade que reconhece a liberdade religiosa”,
disse Meloni.
O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, disse à emissora X
que a proibição era inaceitável. Ele instruiu o embaixador italiano em
Israel a protestar junto ao governo e convocaria o embaixador israelense
em Roma na segunda-feira (30).
Durante a missa no Vaticano neste domingo, o Papa Leão XIII disse
que suas orações estão “mais do que nunca com os cristãos do Oriente
Médio, que estão sofrendo as consequências de um conflito brutal e, em
muitos casos, não podem observar plenamente as liturgias destes dias
santos”.
No
início deste mês, Arábia Saudita, Jordânia, Emirados Árabes Unidos,
Catar, Indonésia, Paquistão, Egito e Turquia condenaram o fechamento
contínuo do complexo da Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, aos fiéis
muçulmanos por Israel.
Os oito estados muçulmanos afirmaram que as limitações discriminatórias e arbitrárias ao acesso aos locais de culto constituem uma "violação flagrante" do direito internacional.
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