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sexta-feira, 16 de julho de 2021

Saúde admite ineficácia de cloroquina e outros medicamentos do “kit covid”

By: INTERVALO DA NOTICIAS
Texto: CONGRESSO EM FOCO Imagem: Carolina Antunes/PR
O Ministério da Saúde admitiu em documentos enviados à CPI da Covid essa semana que medicamentos que compõem o chamado "kit covid", amplamente defendidos por Jair Bolsonaro, são ineficazes contra o vírus.
"Alguns medicamentos foram testados e não mostraram benefícios clínicos na população de pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados, sendo eles: hidroxicloroquina ou cloroquina, azitromicina, lopinavir/ritonavir, colchicina e plasma convalescente. 
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A ivermectina e a associação de casirivimabe + imdevimabe não possuem evidência que justifiquem seu uso em pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados nessa população", diz documento.
Em maio, o Ministério já havia emitido um parecer contraindicando o uso dos medicamentos para pacientes internados com covid, mas o parecer só chegou à CPI essa semana. Duas notas técnicas foram entregues à comissão por um pedido do senador Humberto Costa (PT-PE).
Os medicamentos são os mesmos usados para tratamento precoce, que são defendidos por apoiadores do governo e indicados pelo aplicativo do Ministério da Saúde, TrateCov, em Manaus (AM) em janeiro, no auge da crise de oxigênio no estado. A plataforma saiu do ar após a pasta alegar invasão hacker.
A CPI apura se a existência de um gabinete paralelo ao Ministério da Saúde influenciou o atraso na compra das vacinas, o favorecimento de laboratórios e a compra de medicamentos do "kit covid" sem eficácia para o tratamento da doença.
Uma primeira lista de testemunhas que são investigadas pela comissão por terem composto este gabinete e insistido no uso dos medicamentos são: o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o ex-chefe da comunicação do governo, Fábio Wajngarten, as médicas Mayra Pinheiro e Nise Yamaguchi e o ex-chanceler Ernesto Araújo.
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Também constam na lista de investigados: o ex-assessor do Ministério da Saúde Elcio Franco, o conselheiro do presidente Arthur Weintraub, o empresário Carlos Wizard, Franciele Fantinato, Helio Neto, Marcellus Campelo, Paulo Marinho Zanotto, Luciano Dias Azevedo e o atual chefe da pasta, Marcelo Queiroga. 

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sábado, 12 de junho de 2021

Hidroxicloroquina: documento na CPI mostra que Bolsonaro pediu à Índia para agilizar envio de insumos

By: INTERVALO DA NOTICIAS
Texto: G1 Imagem: Divulgação
Um documento sigiloso entregue pelo Itamaraty à CPI da Covid mostra que o presidente Jair Bolsonaro atuou diretamente para convencer a Índia a enviar para o Brasil insumos para a fabricação de hidroxicloroquina para o tratamento da Covid.
Pesquisas dos mais importantes e reconhecidos órgãos e autoridades de todo o mundo de saúde já concluíram que o medicamento é ineficaz contra a Covid.
O telegrama enviado pelo Ministério das Relações Exteriores fazia uma transcrição do telefonema entre Bolsonaro e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, no dia 4 de abril do ano passado.
Na conversa, Bolsonaro pediu para acelerar a liberação dos insumos para duas empresas para a produção de hidroxicloroquina no Brasil, a EMS e a Apsen (saiba mais abaixo o que as duas empresas disseram). 
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O diálogo foi publicado pelo jornal "O Globo".
Bolsonaro fez o pedido logo no início da conversa.
"Entrarei diretamente no assunto. Temos tido resultados animadores no uso de hidroxicloroquina para o tratamento de pacientes com Covid-19", disse o presidente sem citar a origem dessa informação.
Na sequência, afirmou: "O sucesso da hidroxicloroquina para tratar a Covid-19 nos faz ter muito interesse nessa remessa indiana. Estou informado de que um carregamento de 530 quilos de sulfato de hidroxicloroquina está parado na Índia, à espera de liberação por parte do governo indiano. Esse carregamento inicial de 530 quilos é parte de uma encomenda maior, e foi comprado pela EMS."
E prosseguiu: "Adianto haver, também, mais carregamentos destinados a uma outra empresa brasileira, a Apsen. Este, como eu dizia, é um apelo humanitário que submetemos a nosso prezado amigo Narendra Modi, e que, se atendido, poderá salvar muitas vidas no Brasil."
Segundo ele, "esse é um apelo humanitário que poderá salvar muitas vidas no Brasil."
O primeiro-ministro da Índia respondeu em seguida que: "A Índia com certeza fará todo o possível para ajudar o Brasil." 
Cinco dias depois, Bolsonaro publicou em uma rede social um agradecimento a Narendra Modi.
"Nossos agradecimentos ao primeiro-ministro da índia @narendramodi , que, após nossa conversa por telefone, o primeiro ministro liberou o envio ao Brasil de um carregamento de insumos para produção de hidroxicloroquina", escreveu o presidente. 
O que as empresas disseram:
A EMS declarou em nota que jamais incentivou o uso de hidroxicloroquina que não seja indicado em bula para lúpus e artite reumatoide. 
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Declarou também que sempre disponibilizou esses produtos a pacientes com prescrição médica e apoiou o principal estudo clínico do Brasil, que não mostrou efeito favorável em pacientes adultos hospitalizados com formas leves ou moderadas de Covid.
A empresa disse ainda que o produto representa 0,2% do faturamento da EMS e que a companhia está aberta para conceder demais informações necessárias.
Também em nota, a Apsen afirmou que todas as interações com governos são por meios legais, com lisura, em conformidade com as normas do setor e com a legislação do país.
A nota afirma ainda que nunca houve contato direto com o presidente Jair Bolsonaro e que a Apsen é uma empresa apartidária e que não apoia ou financia nenhum partido ou figura política. 
A Apsen concluiu afirmando que seus executivos não têm vínculos pessoas ou profissionais com o atual presidente da República.  

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