By: INTERVALO DA NOTICIAS
Entre maio de 2013 e maio deste ano, a expressão “como descobrir senhas”
e suas derivações – “como descobrir senha de e-mail”, “como descobrir
senha do facebook” e “programa que descobre senhas”, por exemplo – foram
pesquisadas mais de 1 milhão de vezes no Google Brasil. E esse é
apenas o registro das buscas comuns. As formas mais complexas de se
conseguir informações na rede, geralmente praticadas por hackers, ainda
continuam uma incógnita, pelo menos para quem não tem conhecimento em
linguagem de programação e informática.
Namorados ou namoradas ciumentas talvez procurem formas de descobrir
senhas apenas para identificar o que outro envia por e-mail ou com quem
conversa pelo Facebook. Já o objetivo dos hackers é vender as
informações. Não somente os dados do cartão de crédito ou da conta
bancária, mas também as senhas das redes sociais e de e-mails. Em
dezembro de 2013, a empresa de segurança on-line Trustwave descobriu que
cibercriminosos da Holanda roubaram cerca de 2 milhões de senhas de
Twitter, Facebook e Google. A maior parte era do próprio país, mas dados
dos Estados Unidos também chegaram a ser surrupiados.
Mas o que eles querem com essas informações sociais? De acordo com
pesquisa da consultoria em segurança Jupiter Networks, o acesso a uma
conta do Twitter pode ser vendido por US$ 325 no mercado negro, enquanto
que uma senha de cartão de crédito custa apenas US$ 40. Elas são mais
caras porque as pessoas têm o costume de criar uma senha igual para
vários serviços. Quando se descobre a de uma rede social, portanto, é
fácil ter acesso aos dados do e-mail, dos cartões e da conta bancária.
“Por isso é importante não repetir a senha em vários locais”, diz
Anderson Chalegre, analista de segurança da PBI Segurança Digital.
Alguns criminosos, ainda de acordo com o estudo, costumam levantar as
informações para dar golpes em familiares ou até realizar sequestros.
A Gazeta do Povo, junto com Chalegre, Alan Moreira Lopes, advogado
especialista de direito digital do escritório A.Augusto Grellert, e
Jhoni Vieceli, instrutor em perícia forense e de invasão da Safegate,
criaram um gráfico com dicas sobre como montar senhas seguras.
Hackers trabalham, de modo geral, com tentativa e erro
Para descobrir as senhas dos internautas, os hackers costumam criar
clusters de alta performance – conjunto de computadores. As máquinas
ficam interligadas entre si como se fossem apenas uma. “Você consegue
encontrar mais facilmente os dados dos usuários porque o poder de
processamento é muito maior”, diz Jhoni Vieceli, instrutor em perícia
forense e em invasão da Safegate, empresa de segurança digital de
Curitiba.
O método também é conhecido como brutal force, ou força bruta. Todo o
sistema interligado no cluster tenta adivinhar a senha do usuário por
meio de tentativa e erro. “Se o invasor tem informações da pessoa, do
Facebook mesmo, fica muito mais fácil de conseguir os dados”, conta
Anderson Chalegre, analista de segurança da PBI Segurança Digital.
Potencial
Foi dessa forma que os hackers holandeses conseguiram capturar mais
de 2 milhões de senhas de redes sociais no fim de 2013. Só do Facebook e
do Twitter, foram roubadas cerca de 340 mil acessos. Vieceli, que foi
certificado pela Mile2, empresa norte-americana que oferece treinamento
sobre segurança digital para o governo e para a Interpol, criou seu
próprio cluster, apelidado de “computador bomba”.
“Com ele, eu consigo quebrar uma senha do Windows em menos de seis
horas”, conta. Só que, diferente dos hackers, ele usa a máquina para
descobrir falhas de segurança em sites de empresa.
Como a informática tem uma novidade a cada dia, os especialistas
dizem que a melhor forma de se proteger contra os ataques é por meio da
criação inteligente de senhas – com numerais, símbolos e letras
maiúscula/minúscula – e com a mudança constante, feita pelo menos a cada
90 dias
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