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INTERVALO DA NOTICIAS
Texto: G1/PR – Imagem: DivulgaçãoO marceneiro Felipe Penteado, que tem 21 anos e mora em Imbituva,
na região central do Paraná, foi preso por engano após as autoridades
descobrirem que o mandado de prisão foi expedido com o alvo errado.
Durante a prisão, ele chegou a ter o cabelo raspado e foi mantido em uma
cela na Casa de Custódia de Ponta Grossa, cidade a cerca de 60 km.
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O verdadeiro alvo era Wanderson Felipe Lick Penteado. Ele é investigado por integrar um grupo suspeito de caça ilegal e tráfico de armas e animais, que foi foco de uma operação policial na terça-feira (16). Na data, o marceneiro teve a casa invadida por policiais, por volta de 5h30, enquanto ele e a família dormiam.
O inocente foi solto no final da tarde de quinta-feira (18), 53 horas depois da prisão, após a família relatar a situação à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, e a equipe de reportagem questionar a Polícia Civil (PC-PR) sobre o caso.
"Acho que foram os piores dias da minha vida. Estar lá, junto com um
monte de criminosos e sem dever nada, junto com um monte de gente sem
poder falar nada, quieto, num canto, triste, e sendo inocente! É
complicado", disse Felipe, em entrevista à RPC.
O g1 teve acesso aos documentos relativos ao caso. O
mandado de prisão continha os dados pessoais do marceneiro, como nome,
número de documentos, nome da mãe e data de nascimento.
No entanto, ao reconhecer o erro e pedir a soltura do inocente, a
Polícia Civil admitiu que confundiu as pessoas devido à similaridade dos
nomes.
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"No afã de cumprir com zelo as funções, nossa equipe incorreu em erro
escusável. Ao considerar a pequena localidade de Imbituva, era
praticamente impossível a existência de um homônimo. Porém, as pesquisas
e diligências realizadas pela equipe policial acabaram por recair
erroneamente em um homônimo. Assim constata-se realmente que a pessoa de
Felipe Penteado, atualmente aprisionada é homônima da pessoa de
Wanderson Felipe Lick Penteado, que utilizava o perfil nas redes sociais
Facebook, como 'Felipe Penteado'”, escreveu a corporação.
O documento também traz um print do perfil das redes sociais do
verdadeiro alvo e ainda pede a adequação da ordem judicial para
expedição de mandado de prisão para Wanderson. Nesta sexta-feira (19), o
g1 questionou a Polícia Civil (PC-PR) se o novo mandado foi expedido, mas a corporação não respondeu.
O advogado Gabriel Pupo, que atua na defesa de Felipe Penteado, disse
que vai entrar com processo pedindo indenização do Estado "pois, o que
se espera, é o mínimo dever de cautela estatal".
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"É
completamente inadmissível a não realização de mínimas diligências para
saber quem realmente é ou não acusado, ainda mais quando se está diante
de ações ligadas à Organizações Criminosas. Ao contrário disso, o Poder
Público simplesmente manda expedir mandados de prisão sem a devida
cautela e, após diversos recursos, a única resposta obtida é de que 'era
praticamente impossível a existência de homônimo na pequena cidade de
Imbituva', em que pese na cidade haver mais de 30 mil habitantes."
Em nota, o Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJ-PR) disse que
não pode divulgar informações porque o processo encontra-se sob sigilo e
que não se manifesta ou emite notas a respeito de suas decisões.
Também em nota, o Ministério Público do Estado do Paraná (MP-PR) disse apenas que a operação não foi do MP-PR, e sim da PC-PR.
Em entrevista à RPC, Felipe Penteado conta que, no
momento em que a polícia invadiu a casa onde moram ele, a mãe, o
padrasto e o irmão, ele não entendeu o que estava acontecendo.
"Ouvi o barulho; eles chegaram batendo em porta, batendo em vidro,
gritando que a polícia chegou... fiquei nervoso, não sabia o que estava
acontecendo. [...] Eles deram o mandado de prisão para Felipe Penteado,
me algemaram e jogaram num canto e depois que contaram o motivo, porque
estava sendo preso, explicaram a situação… e a gente ficou mais nervoso
ainda, pois não tinha nada a ver".
O marceneiro que foi preso erroneamente por caça ilegal ainda afirma que nunca se envolveu em nada do gênero.
"Nunca nem peguei numa arma, nunca saí caçar, nem sei como é que
funciona isso. [...] Eu sabia que isso ia ser resolvido, só não sabia
que ia demorar tanto", afirma.
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