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INTERVALO DA NOTICIAS
Texto: G1/PR – Imagem: DivulgaçãoA Justiça Eleitoral condenou 14 candidatos que concorreram ao cargo de
vereador nas Eleições Municipais de 2024 na cidade de Francisco Alves,
no noroeste do Paraná, após denúncia de um esquema de compra de votos
com a distribuição de "vales-combustível".
Sete dos condenados foram eleitos e exercem o cargo de vereador na
cidade. Eles ainda podem recorrer da decisão e seguem nos cargos
enquanto não se esgotam os recursos. O g1 tenta contato com as defesas dos vereadores. Veja lista de vereadores e candidatos condenados abaixo.
A Justiça determinou que os 14 candidatos condenados fiquem inelegíveis
por oito anos -- contados a partir das eleições de 2024 --, além da
anulação dos votos recebidos. No caso dos sete candidatos que foram
eleitos, a Justiça determina também a perda dos cargos.
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O esquema foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná (MPPR).
Segundo a Promotoria de Justiça de Iporã, os candidatos praticaram atos
de abuso de poder econômico "operando um esquema ilícito de distribuição
de 'vales-combustível' a eleitores em troca de votos e apoio político."
A denúncia também incluiu Alírio José Mistura (PSD) e Jair Ozório (PSB),
prefeito e vice-prefeito eleitos, respectivamente. O MPPR apontou que o
posto de combustíveis que emitia os vales pertenceu à família do
candidato a prefeito.
"O simples fato do posto de combustível ser originalmente da família do
investigado Alírio, por si só, não permite concluir pela sua
participação, na medida que o estabelecimento em questão está atualmente
arrendado [...], o que ocorre desde antes do pleito", diz o juiz Andrei
José de Campos na sentença.
O g1 tenta
contato com as defesas dos vereadores e candidatos condenados, além do
prefeito e vice-prefeito para que possam comentar a decisão, mas ainda
não teve retorno.
As investigações contaram com o cumprimento de mandados de busca e apreensão na véspera da votação.
"O Ministério Público à época participou de uma diligência de busca e
apreensão que foi realizada em um posto de gasolina da cidade, ocasião
em que foram inclusive ali encontrados e apreendidos e juntados ao
processo diversos Vale Combustíveis, diversas notas fiscais que
comprovavam ali a existência desse esquema ilícito de abuso de poder
econômico", afirma o promotor de Justiça Filipe Rocha e Silva.
A sentença destaca que os documentos são suficientes para comprovar o
abuso do poder econômico por parte dos candidatos a vereador.
A Justiça Eleitoral afirma ainda que é permitido aos candidatos ter
despesas com abastecimento de veículos para uma "carreata", por exemplo.
No entanto, nesses casos, o candidato se dirige ao posto de
combustíveis, autoriza o abastecimento de determinado número de veículos
e paga o valor como custos de campanha, registrando a nota fiscal na
prestação de contas da Justiça Eleitoral, sem que qualquer valor seja
entregue a eleitores.
Os vereadores de Francisco Alves distribuíram pessoalmente os
"vales-combustível" a pessoas não identificadas, sem qualquer prestação
de contas no sistema da Justiça sobre esses valores, aponta o juiz.
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- Devair Pôrto Santos, “Cutuca” (PSB)
- Cioni Cassin do Nascimento, “Cioni Segurança” (PSDB)
- Miguel Arcanjo dos Santos, “Miguel” (PSDB)
- Célia Pereira Santos Geraldeli, “Celia Motorista” (PSB)
- Maria Rosa Tolovi Ferrari, “Rosa Ferrari” (PSDB)
- Dario Aparecido de Nigro, “Dario de Nigro” (PSDB)
- Marcio Renato Trindade da Silva, “Professor Marcio Trindade” (PSB)
Veja abaixo a lista dos candidatos condenados
- Edgar Saldeira Guedes, “Edgar Guedes” (PSDB)
- Valdinei Cardoso dos Santos, “Valdinei Motorista” (PSB)
- Jonas Rafael Leão, “Faustão” (PSDB)
- Maria Aparecida da Silva, “Cida Cida” (PSB)
- Daniel Rodrigues Santos, “Daniel Rodrigues” (PSB)
- Ely Elete Dalabenetta da Cruz, “Ely da Feira” (PSDB)
- Simone de Oliveira Avanci, “Simone Avanci” (PSB)
Em caso de condenação definitiva, município pode ter recontagem de votos
Os vereadores condenados não perdem os mandatos imediatamente, já que
ainda podem recorrer da decisão. Se a sentença for confirmada após o
recurso, a cidade de pouco mais de 8,5 mil habitantes vai perder a maior
parte dos representantes na Câmara Municipal, que tem nove vagas para
vereador.
Como os votos recebidos pelos condenados foram invalidados, os suplentes não assumem os cargos, necessariamente.
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