A partir da publicação da MP, as plataformas ficam impedidas de receber novos apostas. A medida estabelece um período de transição para o fim das operações das empresas autorizadas.
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Os apostadores terão até as 23h59 de 5 de outubro para retirar voluntariamente os valores disponíveis nas plataformas.
Quem não fizer o resgate nesse período receberá o saldo de volta por
meio dos bancos que operam com as empresas de apostas, entre 9 e 14 de
outubro.
Os sites e aplicativos das bets deverão sair do ar a partir de 6 de outubro.
Entre os dias 7 e 8, as empresas deverão informar aos bancos os
valores mantidos nas contas dos apostadores, vinculados aos respectivos
CPFs. A devolução dos saldos será feita integralmente por meio das
instituições financeiras.
Caso haja algum impedimento para a devolução, a Caixa Econômica
Federal poderá intermediar o pagamento aos apostadores a partir de 14 de
outubro.
Fiscalização
O governo prevê reforço da fiscalização contra plataformas ilegais e
das investigações sobre movimentações financeiras relacionadas às
apostas.
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A estratégia inclui a identificação e derrubada de sites
ilegais, o bloqueio de contas bancárias utilizadas irregularmente para
apostas e a integração de informações entre órgãos públicos.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Polícia Federal terão reforço de estrutura para as ações de fiscalização.
O que muda para o apostador
>> Com a publicação da medida provisória:
• novos depósitos nas bets ficam proibidos imediatamente;
• o apostador tem até 5 de outubro para retirar voluntariamente o saldo;
• os sites e aplicativos deverão sair do ar a partir de 6 de outubro;
• entre 7 e 8 de outubro, as empresas informarão aos bancos os saldos vinculados aos CPFs;
• entre 9 e 14 de outubro, os bancos farão a devolução dos valores;
• a Caixa poderá intermediar a devolução em casos de impedimento.
Após assinar a Medida Provisória que proíbe a operação das bets no
país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que as casas de
apostas online são um “câncer” e que é preciso tirá-lo.
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“Eu tomei uma medida dura e drástica necessária. Isso é como um câncer.
Ou a gente tira o tumor, ou esse tumor vai matar a gente”.
Lula também comparou o vício nas apostas online ao consumo de crack,
ao dizer que famílias estão sendo destruídas e dívidas impagáveis por
causa do vício em jogo, a chamada ludopatia.
O presidente contou que tomou a decisão de proibir a operação no
Brasil após ouvir a equipe econômica, organizações da sociedade civil e
cidadãos. Ele afirmou ter conversado com empresários, donas de casa e
até funcionários do Palácio da Alvorada, residencial oficial do
presidente.
Lula afirmou ter conversado com uma mulher que tentou se matar três
vezes e com outra, cujo filho tirou a própria vida após contrair dívidas
de jogo.
“Estamos dizendo para o povo brasileiro: a gente não vai permitir que
você seja usado por cartão de crédito ou por bets para gastar o
dinheiro do leite, do pão do seu filho, da refeição, das coisas que a
sua mulher precisa dentro de casa. Estamos tentando livrar o povo mais
humilde desse país de se matarem por conta de uma perspectiva de
ganhar”.
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Sobre as queixas de vários clubes de futebol patrocinados por bets,
Lula lembrou que clubes brasileiros foram campeões mundiais sem apoio
das apostas e a seleção brasileira foi campeã do mundo cinco vezes antes
desse mercado chegar ao país.
Ele disse ter sido informado de que o patrocínio das bets nos clubes de futebol corresponde a “6% a 7% do orçamento de um time”.
“O que não dá é um time não ter consciência de que o seu torcedor já
torce para o time, já vai no estádio, já compra camisa para a mulher,
para o filho. Além de o jogador pobre contribuir com tudo, o time quer
pagar as dívidas com o pobre do dinheiro do torcedor?”, acrescentou.
Histórico das bets e impactos
A Lei 13.756, de 12 de dezembro de 2018, liberou as apostas de quota
fixa (as chamadas bets) no país. O prazo para regulamentação era de dois
anos, prorrogável por mais dois. A regulamentação só ocorreu em
dezembro de 2023, estipulando a relação de bets autorizadas a operar no
Brasil.
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Pesquisas e estudos têm mostrado o impacto negativo desse tipo de
aposta no orçamento das famílias e na saúde mental dos apostadores.
As bets causaram, apenas em 2025, um rombo de R$ 62,5 bilhões no orçamento das famílias, segundo o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz). Um em cada cinco alunos (20,4%) dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio diz já ter feito apostas online. A proporção chega a quase metade dos pesquisados (49,7%) no 3º ano do ensino médio.
Segundo o Ministério da Saúde, os danos associados ao jogo geram
custo social de R$ 38,8 bilhões por ano. Entra nessa conta os
tratamentos médicos para depressão (R$ 3 bilhões), perda de qualidade de
vida associada à depressão (R$ 10,4 bilhões), mortes adicionais por
suicídio (R$ 17 bilhões) e custos relacionados à saúde (R$ 30,6 bilhões)
Além disso, R$ 8,2 bilhões estimados pelo governo se relacionam à
perda de moradia, pagamento de seguro-desemprego e encarceramento.
A maior parte dos apostadores é formada por homens, mas quatro em cada dez mulheres brasileiras
(42%) já jogaram ou continuam jogando em plataformas de apostas online.
Dessas, 20% apostam atualmente (com frequências variadas) e outras 22%
já apostaram, mas não apostam mais.
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Profissionais de saúde mental vinham defendendo ações urgentes contra o mercado de apostas virtuais.
Segundo eles, os dependentes em apostas podem apresentar sinais como
afastamento das pessoas, aumento do uso de álcool ou mudanças
importantes de comportamento.
A ludopatia se desenvolve com base em uma reação no organismo do
jogador. Quando uma pessoa aposta, o cérebro pode liberar dopamina
diante da expectativa de ganhar, que seria uma recompensa. Essa situação
gera influência sobre regiões envolvidas no controle das decisões e do
comportamento. O cérebro ficaria, então, estimulado por esse reforço
intermitente. A recompensa financeira, no entanto, não vem na mesma
proporção da recompensa química.