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INTERVALO DA NOTICIAS
Texto: AREDE – Imagem: Antonio Augusto /STFRelatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão ligado à Organização dos Estados Americanos (OEA),
destacou que o Brasil possui instituições democráticas “fortes e
eficazes” e descartou a existência de um cenário de censura no país.
Segundo o relatório, elaborado após visita técnica ao país em
fevereiro deste ano e divulgado na sexta-feira (26), o Estado brasileiro
realiza eleições livres e justas, mantém a separação de Poderes e opera
sob o Estado de Direito, com garantias constitucionais de proteção aos
direitos humanos. A CIDH afirma ainda que há autonomia judicial e um
sistema de freios e contrapesos em pleno funcionamento.
“A
delegação constatou que o Brasil possui instituições democráticas
fortes e eficazes”, afirma o documento. “O Estado realiza eleições
livres e justas, e é caracterizado pela separação de poderes e pelo
Estado de Direito.”
O documento frustrou o discurso defendido por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro,
que vinham tentando convencer a comunidade internacional de que haveria
perseguição política e restrições à liberdade de expressão no Brasil.
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O
texto também reconhece que o país passou por tentativas deliberadas de
deslegitimar os resultados eleitorais de 2022, além do planejamento e da
execução de uma tentativa de golpe de Estado. Nesse contexto, a
comissão avalia que a defesa da democracia é condição essencial para o
pleno exercício da liberdade de expressão.
“A defesa da democracia
no Brasil também é um componente fundamental da defesa do direito à
liberdade de expressão no país, uma vez que a liberdade de expressão
requer uma sociedade democrática para ser plenamente exercida”, destaca o
relatório.
O relator especial para a liberdade de expressão da CIDH, Pedro Vaca Villarreal,
esteve no Brasil em fevereiro e se reuniu com Bolsonaro, ministros do
STF, integrantes do governo e representantes da sociedade civil. À
época, o encontro com o ex-presidente ocorreu em meio à pressão de
parlamentares conservadores nos Estados Unidos para que a OEA adotasse
uma postura mais dura contra decisões do Supremo brasileiro.
ALERTAS AO JUDICIÁRIO
Apesar
de afastar a tese de censura, a CIDH faz recomendações e alertas ao
Judiciário brasileiro, especialmente ao Supremo Tribunal Federal
(STF). O documento reconhece o “papel fundamental” da Corte na
investigação e contenção dos ataques às instituições democráticas, mas
aponta preocupação com o risco de concentração excessiva de poder.
“Embora
a defesa da democracia deva fundamentar a ação do Estado, há o risco de
transformar uma solução temporária, destinada a ser excepcional, em um
problema duradouro”, afirma o texto, ao mencionar a possibilidade de
criação de precedentes que possam ser usados por regimes autoritários no
futuro.
O documento faz as seguintes recomendações ao Judiciário brasileiro:
Decisões
sobre remoção de conteúdos nas redes sociais devem ser devidamente
fundamentadas e comunicadas às plataformas e aos usuários afetados;
Restrições
à liberdade de expressão não devem basear-se em conceitos vagos, como
“desordem informacional” ou “informação descontextualizada”;
Categoria de “atos antidemocráticos” não deve ser usada para limitar críticas legítimas a autoridades.
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O
relatório também defende a necessidade de regulação das plataformas
digitais, desde que respeitados os parâmetros internacionais de direitos
humanos. A CIDH recomenda a criação de marcos legais para lidar com os
desafios do ambiente digital e com o uso da inteligência artificial.
O
documento, no entanto, ressaltou que as plataformas não devem ser
responsabilizadas automaticamente por conteúdos de terceiros, desde que
cumpram deveres adequados de moderação.
Com isso, o relatório da
OEA reforça a avaliação de que o país enfrenta desafios no campo da
liberdade de expressão, mas dentro de um ambiente institucional
democrático e distante do cenário de censura.
REAÇÕES POLÍTICAS
O
governo brasileiro avaliou que o relatório reforça a inexistência de
censura no país e não abre espaço para sanções internacionais contra
autoridades brasileiras. A ministra-chefe da Secretaria de Relações
Institucionais, Gleisi Hoffmann, comemorou o conteúdo e afirmou que o documento desmonta a narrativa de que o Brasil viveria uma “ditadura”.
“O
reconhecimento internacional da verdade sobre o golpe é mais uma
vitória da Justiça e da democracia brasileira, para fechar o ano de
2025. E para nos manter alertas contra qualquer tentativa de anistia ou
redução de pena dos golpistas condenados”, postou Gleisi na rede social X neste domingo (28).
Já aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro também tentaram interpretar o relatório de forma favorável. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
afirmou nas redes sociais que o texto apenas confirma críticas feitas
pela oposição, ao mencionar riscos no uso de conceitos como discurso de
ódio e desinformação.
“Minha interpretação do relatório: ‘discurso
de ódio’ e ‘desinformação’ são usados para perseguir alvos
pré-determinados e a democracia no Brasil é relativa. E não há mais
imunidade parlamentar para políticos de direita”, escreveu Flávio no X na sexta-feira (26).
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