By: INTERVALO DA NOTICIAS
Texto: R7 – Imagem: Divulgação
O coordenador do núcleo de gastroenterologia do Hospital Samaritano, André Ibrahim David, explica que a doença é extremamente rara e afeta o sistema digestivo, principalmente, o intestino. Segundo o especialista, foram diagnosticados somente 230 casos desde 1976, em todo o mundo.
— Essa doença faz o intestino ter dificuldade de fazer o movimento para comida seguir em frente [com o processo de digestão].
No meio científico, a sídrome de Berdon é chamada de hipoperistause intestinal megacística microcolônica.
Em 10 de abril deste ano, Sofia passou por um transplante simultâneo de fígado, estômago, pâncreas, intestino delgado e intestino grosso no hospital Jackson Memorial, em Miami. A cirurgia foi bem sucedida. Porém, a menina foi acometida por um vírus resistente quando se recuperava da operação em regime de home care, em uma casa alugada pela família em Miami. O vírus afetou os pulmões e, segundo a mãe, Sofia resistia por causa dos antibióticos. A carga virótica comprometeu o funcionamento dos pulmões.
Para conseguir o tratamento, a família entrou na Justiça, que determinou que a União bancasse o custo do tratamento, avaliado em mais de R$ 2 milhões.
Por meio de uma campanha na internet que mobilizou 1,5 milhão de pessoas, a família conseguiu arrecadar mais R$ 2 milhões para pagar a estadia nos Estados Unidos e os cuidados com a menina após a cirurgia.
O especialista ainda explica que, quando o intestino não funciona e o paciente depende de dieta na veia, com o passar do tempo, o fígado fica comprometido. Por isso, a necessidade de se fazer o transplante multivisceral.
Por ser uma doença que compromete o aparelho digestivo, Ibrahim lembra que é impossível sobreviver. Na opinião do médico, Sofia surpreendeu a equipe que a tratou. Já que ela deveria sobreviver no máximo 12 meses porém, ela morreu com um ano e oito meses.
— É uma criança pequena e desnutrida com múltiplas manipulações médicas. Por isso pode ter comprometimento dos vasos sanguíneos, sem falar no grau de risco de contaminação. Sem considerar a dificuldade para arrumar um doador, pelo tamanho da criança.
O transplante multivisceral é a maior cirurgia de aparelho digestivo que existe.
— A operação pode levar de oito a dez horas. Já trabalhei em Miami e os profissionais de lá são os melhores do mundo. É uma cirurgia complexa.
Segundo Ibrahim, a operação era a única opção, principalmente para o caso dela, que era muito grave. Em casos mais leves é possível transplantar somente um dos órgãos.
O especialista também afirma que a viagem aos Estados Unidos não foi prejudicial para o caso. Segundo ele, a medicina já possui condições de fazer longas viagens, mesmo em casos de doenças raras como a de Sofia.
De acordo o gastro, a medicina ainda não conhece a causa da doença.
— Ainda está se estudando o genoma das crianças afetadas. Parece que pode ser hereditário ou genético, ou até mesmo hormonal, mas ainda está em estudo.
De acordo com o médico, já é possível perceber os sintomas da síndrome de Berdon nas crianças logo depois que nascem. Entre eles, estão a alteração no formato e função da bexiga (que costuma aparecer de forma bastante grande), prisão de ventre por causa dos movimentos do intestino, intestino delgado com inchaços e intestino grosso menor que o normal.
Entre os sinais gerais da doença estão a retenção urinária, dilatação da bexiga, barriga inchada, vômitos, prisão de ventre, músculos flácidos na região do abdômen, inchaço do rim e obstrução do intestino.
Além do comprometimento do intestino, Ibrahim também diz que há alteração na bexiga, que acaba ficando muito dilatada, o intestino delgado fica inchado e o grosso retraído.
— Essa criança não vai urinar direito, e tem dilatação do estômago, que causa vômito, prisão de ventre, a barriga fica flácida, o rim acaba inchando e o intestino não funciona. É uma obstrução funcional.
O especialista acredita que Sofia tenha sobrevivido além do esperado porque a tecnologia tem ajudado a medicina a aumentar a expectativa de vida dos pacientes.
— Hoje em dia, temos condição de manter com nutrição na veia, com sondas para aliviar a bexiga, e vai utilizando as veias principais para a alimentação. O problema é que as veias tem prazo de validade. Não tem mais vaso para alimentar a criança. Temos seis veias principais, que podem receber nutrientes ao invés de dieta via oral. O catéter que fica dentro da veia acaba a comprometendo. Isso leva a uma inflamação crônica e compromete o vaso. Pode até levar à fibrose e trombose.
A notícia da morte da bebê causou comoção nas redes sociais nesta segunda-feira. Usuários que seguiam a página da menina se emocionaram e enviaram mensagens de apoio à família.
Até o meio desta tarde, mais de 50 mil pessoas haviam comentado no Facebook o recado da família sobre a morte de Sofia.
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