sexta-feira, 17 de março de 2017

Esquema ilegal em frigoríficos ajudava campanhas do PMDB e PP



By: INTERVALO DA NOTICIAS
Texto: PARANÁ PORTAL Imagem: Francielly Azevedo (Paraná Portal)



Empresas de agronegócio investigadas na Operação Carne Fraca auxiliavam em campanhas políticas de partidos como o PMDB e o PP, de acordo com o superintendente regional da Polícia Federal, Maurício Moscardi Grillo.
Parte da propina paga pelas empresas para o Ministério da Agricultura para fazer “vista grossa” às irregularidades dos produtos era revertido para os partidos políticos. Ainda não há estimativa do valor repassado e outras siglas podem estar envolvidas nos esquemas.
Os empresários são acusados por lavagem de dinheiro e corrupção e, ainda de acordo com a PF tinham bens registrados em nome de terceiros. “Parte desde o fiscal até o responsável pelo ministério. Existia uma “força” para retirar os fiscais honestos do trabalho nessas empresas”, disse o superintendente. Em troca de propina, os fiscais deixavam passar carnes podres, com data de vencimento adulterada e com bactérias.
Em perícia, foram encontradas carnes estragadas em conhecidos supermercados de Curitiba e Região Metropolitana. Entre as marcas que vendem carnes irregulares estão Pecin e Master Carnes.
De acordo com a PF, foram encaminhados quatro containers de carne para a Europa, o que chegou foi analisado e encontrada bactéria nos produtos. Os outros três ainda estão no mar.
Parte da investigação foi deflagrada pela fábrica do restaurante Madero, que passou por uma tentativa de extorsão de agentes que exigiam propina. “Criavam circunstâncias de problemas, exigiam dinheiro e picanha, por mais vergonhoso que seja” afirmou Grillo.
Em nota, o presidente do Madero, Junior Durski, afirma que se sente orgulhoso por ter colaborado com a PF nas investigações. “Isto é o nosso dever como cidadãos brasileiros, pois ajuda a passar o Brasil a limpo, tornando-o um lugar mais digno e decente para que as nossas crianças cresçam e se alimentem de produtos e conceitos bons. É no mínimo a nossa obrigação, seja como pais, empresários ou simplesmente como cidadãos brasileiros de bem”, declarou. “Temos que ter muita disposição e coragem neste momento que o Brasil dá esta virada, denunciando e colaborando com a polícia e com a justiça, sempre que estes bandidos e corruptos batam às nossas portas. Só assim vamos tornar este maravilhoso país um lugar que nos orgulhemos, e que possamos trabalhar cada vez mais com muita força e determinação, fazendo as nossas empresas e o nosso país crescerem cada vez mais”, finaliza a nota.
Alimentos sem condições de consumo
Entre os crimes identificados na operação, estão re-embalagem de produtos vencidos; excesso de água; inobservância da temperatura adequada das câmaras frigoríficas; assinaturas de certificados para exportação fora da sede da empresa e do Mapa, sem checagem in loco; venda de carne imprópria para o consumo humano; uso de produtos cancerígenos em doses altas para ocultar as características que impediriam o consumo pelo consumidor. Segundo a PF, todas as 40 empresas investigadas tinham alguma irregularidade.
Segundo o superintendente da PF, um dos empresários chegou a negociar autorização para abrir um abatedouro de cavalos para venda da carne no Paraná. A propina prevista era de R$ 300 mil.
Frangos abatidos em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, também estavam contaminados com a bactéria Salmonela, de acordo com a análise, e eram encaminhados para merenda escolar em Curitiba. Também havia adulteração em suplementos de proteína que deveriam ser adicionados à carne e que eram trocados por versões mais baratas, que não tinham o mesmo efeito benéfico, segundo a PF. Carnes infectadas também foram destinadas à exportação.
Três núcleos
Foram identificados, nas investigações, três grupos criminosos de servidores no Mapa/PR: núcleo baseado em Curitiba, liderado pelo fiscal agropecuário Daniel Gonçalves Filho, sucedido em suas funções por Gil Bueno de Magalhães, Superintendente regional do Mapa, e Maria do Rocio Nascimento, chefe do SIPOA; núcleo baseado em Londrina, chefiado por Juarez Santana, chefe da Unidade Técnica Regional de Agricultura de Londrina – UTRA/Londrina; e núcleo Foz do Iguaçu, coordenado por Antonio Garcez da Luz, chefe do escritório do Mapa em Foz do Iguaçu. Além do núcleo baseado no Mapa/GO, cujo líder é o Chefe do SIPOA, Dinis Lourenço da Silva, que adota modus operandi semelhante ao do Paraná.
São, ao todo, 34 funcionários públicos investigados, 20 deles com mandados de prisão. Entre os executivos, há três da BRF e dois da JBS – três dos executivos estão presos. 
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