quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Projeto da Boeing dá R$ 150 e comida para voluntário testar conforto de voo



By: INTERVALO DA NOTICIAS
Texto: UOL Imagem: Divulgação


A USP e a Boeing estão desenvolvendo um novo estudo para melhorar o conforto dos passageiros de avião. Os pesquisadores do Centro de Engenharia de Conforto da Escola Politécnica da USP estão em busca de voluntários para realizarem voos simulados de até 6h30 e avaliarem os efeitos de itens como ruídos internos, umidade do ar, pressão atmosférica, temperatura e iluminação da cabine no conforto durante a viagem.
Durante o voo, os voluntários recebem serviço de bordo com alimentação e tablets disponíveis para entretenimento dos passageiros, além de uma ajuda de custo de R$ 150.
Para fazer parte do projeto, a única exigência é que a pessoa tenha experiência anterior em viagens de avião. “Não precisa ser ninguém técnico. É até melhor que seja um passageiro comum”, afirma o professor da USP e coordenador do projeto, Jurandir Itizo Yanagihara.
As inscrições podem ser feitas pelo site do projeto (clique aqui) ou pelo e-mail conforto@usp.br. A seleção dos candidatos aprovados para os testes será feita pelos pesquisadores do projeto.
Conheça o estudo
Ruídos internos, umidade do ar, pressão atmosférica, temperatura e iluminação. A influência desses cinco itens no conforto dos passageiros de avião é o objetivo principal do Centro de Engenharia de Conforto. Criado em 2005, os pesquisadores já fizeram diversos estudos para a Embraer e agora desenvolvem um novo projeto em parceria com a Boeing.
“O objetivo é estudar diversos parâmetros ambientais e seu impacto no conforto dos passageiros”, afirma o coordenador do projeto. Depois de analisados, os estudos são enviados às fabricantes de aviões para ajudar no desenvolvimento de novas cabines de passageiros para reduzir o cansaço e o desconforto de voar.
As pesquisas são feitas dentro de um prédio no departamento de engenharia mecânica. O local guarda uma maquete reduzida de um avião Embraer 195, com apenas 30 lugares, instalada dentro de uma câmara de pressão.
Na entrada, o prédio tenta simular o ambiente de um aeroporto, com sala de embarque, comissárias de bordo e até rampa de acesso ao avião. Antes de embarcar, cada “passageiro” recebe um questionário que deverá ser preenchido durante o “voo”.
Em uma simulação de uma viagem de 6h30, os pesquisadores controlam todos os parâmetros que pretendem analisar, podendo alterar temperatura, pressão atmosférica, nível de ruído, iluminação e a umidade do ar.
O coordenador do projeto afirma que seria impossível fazer as diversas simulações em um avião real. “Temos muita flexibilidade e o controle total de todos os parâmetros que queremos analisar”, diz.
Segundo Yanagihara, existem somente dois simuladores como esse no mundo. Além do utilizado pela USP, o outro fica na Alemanha, no Fraunhofer Institute for Building Physics, e trabalha com um simulador de um Airbus A319.
Pressão e umidade
O professor da USP afirma que os dois principais desafios para aumentar o conforto dos passageiros durante o voo, principalmente em viagens longas, é conseguir aumentar a pressão atmosférica e a umidade do ar a bordo dos aviões.
A pressão interna durante a maior parte do voo corresponde a uma altitude de 2.500 metros. Isso faz com que o ar fique mais rarefeito e aumente a sensação de cansaço no corpo.
Os aviões mais modernos da Boeing já conseguiram aumentar essa pressão para uma altitude correspondente a 1.800 metros.
Essa evolução foi possível graças ao uso de materiais compostos na fabricação dos aviões, que suportam melhor a diferença entre as pressões interna e externa dos aviões.
Já em relação à umidade, o professor da USP afirma que é um processo mais complicado. Segundo ele, o vapor de água, ao se chocar com as paredes frias da fuselagem, condensa e vira água acumulada no material isolante.
“Por isso, os aviões precisam ter uma baixa umidade para não ter esse peso morto, que só deixa o avião mais pesado e aumenta o consumo de combustível”, afirma Yanagihara.
Algumas mudanças até podem ser viáveis tecnicamente. Saber se o custo-benefício vale a pena é a grande questão. “Temos de analisar todas as variáveis para o fabricante investir naquilo que realmente faz diferença”, afirma o coordenador do projeto.

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